Manuel Alegre é um cidadão livre, consciente e empenhado, a ponto de, nesta hora conturbada em que vivemos, permanecer coerente como sempre foi: ao ser chamado para nova missão patriótica respondeu como sempre: estou aqui. Ele foi, é, e continuará a ser (estou certo), como poeta e como cidadão, uma referência ímpar na vida portuguesa.
Infelizmente, temo que os próprios militantes socialistas lhe responderão: Sim, Manuel, tu és um exemplo de cidadania, és um socialista convicto, nós não duvidamos disso, nós até te agradecemos por tudo o que tens feito pelo país e pelo partido, mas sabes, Manuel, o mundo mudou; sabes, Manuel, os tempos, agora, são outros; hoje em dia o que é preciso é pragmatismo e moderação. Entende isto, Manuel, nós ainda somos pelo socialismo, mas um socialismo com moderação e pragmatismo; nós ainda somos de esquerda, mas uma esquerda moderada. Olha, Manuel, só a esquerda pragmática e moderada é que é moderna. E esta é a única via para vencer a direita.
E Manuel Alegre responderá assim:
“Letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetecer dizer não grita comigo: Não.
É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.”
Manuel Alegre, O canto e as armas
Sócrates, o filósofo grego, dizia: "Só sei que nada sei."
Sócrates, o mediático, diz: "Comigo a líder do PS as coisas serão claras."
É a diferença entre o filósofo e o político...
A educação e a formação profissional são os principais problemas do país, pois deles dependem todos os outros. Pois bem. Não só o primeiro ministro não lhes atribui importância nenhuma, (mas da parte dele isso é natural...), como os próprios partidos da oposição e os media apenas referiram sem dar grande destaque à ignorância total da ministra e dos secretários de Estado quanto ao sector que vão dirigir.
Paulo Portas anda menos constrangido, revelando uma desenvoltura tal que parece ser ele quem manda no governo? Um autêntico peixe na água…E só agora começou…
Mais do que um filme é uma verdadeira telenovela da vida dos famosos (uns políticos, outros aprendizes de políticos) aquela que está a desenrolar-se diariamente em frente dos nossos olhos, com uma grande novidade: ela passa simultaneamente nos principais canais da televisão portuguesa.
Está garantida a presença diária dos seus protagonistas, ou pelo menos de um por dia. Diariamente também estão garantidas cenas inesperadas, excitantes, divertidas. A de hoje, por exemplo foi sobre a mudança dos ministérios: desde manhã que se procurou prender a atenção do público: que ministérios ou secretarias de estado vão sair de Lisboa? E quais serão as cidades, vilas e aldeias contempladas? Etc, etc.
As primeiras cenas têm decorrido com uma tal rapidez e frenesim, com momentos deveras inesperados, divertidos e hilariantes, que parece que estamos a assistir a um filme. Estou como Miguel de Sousa Tavares: “Como é que foi possível?” O que parece também é que o seu produtor, o presidente da República, tornou-se adepto da política: “Quanto pior, melhor”…
Quanto à continuação do filme, ou seja, quanto aos próximos capítulos, a curiosidade é tanta visto tratar-se de um enredo e de um final completamente imprevisíveis. E os protagonistas são excelentes actores. Quanto à duração, embora saibamos de antemão que não deve ultrapassar dois anos, a verdade é que o “suspense” mantém-se: será que o produtor vai mandar parar as filmagens? E nem o género do filme é conhecido: comédia? melodrama? terror?tragédia?
É dever de um cidadão consciente ajudar o nosso primeiro-ministro a governar. Como ele está muito preocupado com a distribuição dos ministérios pelo país, deixo-lhe aqui algumas sugestões.
Sugiro-lhe que o Ministério do Desporto seja colocado em Gondomor ou em Marco de Canavezes; o Ministério das Pescas na lota de Matosinhos a fim de convencer as fãs de Narciso Miranda e Seabra a se passarem para o PPD/PSD, o Ministério da Defesa na base das Lajes nos Açores a fim de perpetuar o encontro com Bush e Cª, e o Ministério das Finanças na Madeira, por razões óbvias.
Luís Osório é uma esperança do jornalismo português. Desde que é director, está a transformar "A Capital" num jornal de referência. Um dos colunistas daquele jornal é uma esperança da literatura portuguesa - Jacinto Lucas Pires. O retrato que o colunista/escritor faz de Santana merece ser lido:
"E nem todos os fatos escuros do mundo nem novas, ridículas poses de gravidade servem para enganar o mais distraído dos cidadãos: o populismo subiu ao poder. O populismo de Santana – vazio de pensamento, vaidoso de truques, esperto em matérias de espectáculo – aliado ao populismo de Portas – mais ideológico, intriguista e, por vezes, quando dá jeito, extremista.
Chega assim ao governo (sem o teste das eleições, via palácio de Belém) um estilo novo de fazer política. Um estilo pronto-a-vestir, em que a máscara se confunde com a cara. Um estilo muito, digamos, “século XXI”. Não se estuda um dossiê, faz-se um telefonema; não se consulta um especialista, consulta-se a sondagem; não se prepara o futuro, prepara-se uma saída. Um modo berlusconi barato.
Com sorriso ou seriedade, conforme o papel que é pedido, mas sempre com a mesma insuportável leveza, passa-se da Câmara de Lisboa para o comentário televisivo, das revistas cor-de-rosa para São Bento – porque dentro desta lógica tudo é um pouco a mesma coisa, um imenso circo de flashes e fazer-parecer, em que importa menos ter uma ideia do que ter uns quantos votos no bolso. A aplaudir esta vitória estão, claro, grandes e pequenos caciques, suas clientelas e todos os que apostam no facilitismo.
Quem conhece a lenda, sabia perfeitamente que hoje não podia ser o dia certo para o regresso do desejado. Primeiro, porque segundo a lenda, D. Sebastião virá do norte de África e não de Bruxelas, e em segundo lugar porque virá numa manhã de nevoeiro e hoje foi um dia de muito sol. Vamos continuar a esperar…
Portanto, D. Sebastião não voltou, e em vez de um "rei" teremos um engenheiro com nome de filósofo, um "filósofo" do aparelho. Um rei viria salvar um partido republicano (hoje em dia já nada estranhamos…). Se o engenheiro o salvará (dos desvios esquerdistas, entenda-se...), não o sabemos, já não há tanta unanimidade…Aliás, a unanimidade era tanta que até comovia. Parecia haver um apoio de 99,9%, o que é sempre de desconfiar...Até ao momento tanta unanimidade só à volta do Scolari…Até o professor Marcelo o desejava…Quanto ao Presidente, ainda deve estar a chorar neste momento.
A minha forma de homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo é evocar o meu voto quando se candidatou à Presidência da República. Desse voto, não só não me arrependo, como me orgulho, e é claro que nunca me vou arrepender. Ela foi coerente até ao fim!
O que dói é que vamos assistindo, em cada dia que passa, ao desaparecimento (físico, mas não só...), de políticos e outros cidadãos que são ou foram exemplos de ética, de coerência e sentido cívico, sem que apareçam outros com essas qualidades, que os possam substituir.
Jorge Sampaio foi uma figura marcante da política portuguesa antes e depois do 25 de Abril. Foi líder dos vários movimentos que integrou, e no PS foi o líder de uma corrente denominda precisamente por sampaismo. Chegou a presidente da República, mas no momento em que o sampaista Ferro Rodrigues poderia chegar a primeiro-ministro, o próprio Sampaio matou o sampaismo. Isto é, só houve lugar para o criador do próprio sampaismo. Sampaio o criou, Sampaio o matou. Nenhuma criatura teve acesso a um lugar cimeiro.
As voltas que o mundo dá, ou os fios com que se tece a política... A vida e os homens não deixam de nos surpreender...O problema é que nos surpreendem mais vezes para o mal do que para o bem.
E os dias vão-se tornando cada vez mais conturbados! Depois da euforia do Euro, a desilusão e a depressão. Pobre país!
Talvez não possa dizer como Ana Gomes que estou arrependido de ter votado em Jorge Sampaio,mas que estou muito triste, estou. Como é possível que este presidente da República tenha concedido, de bandeja, o poder a estes dois indivíduos (Santana/Portas)?
Morreu a poetisa da luz, do mar, da perfeição helénica. Um dos maiores vultos da literatura portuguesa, não só contemporânea mas de todos os tempos. Perdemos uma figura, tanto literária como eticamente, absolutamente crucial na história portuguesa. Ficam as palavras, fica o mar…
25 de Abril
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”
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A forma justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu e o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada dia a cada um a liberdade do reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como a palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
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Inscrição
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
Está em fase adiantada a formação do novo governo chefiado pela dupla Portas\Lopes.
Assim, podemos já anunciar os titulares de alguns ministérios e até alguns secretários de Estado.
Ministério da Propaganda – um super ministério dirigido pelo próprio Santana Lopes, será mesmo o ministério mais importante.
Secretário de Estado para o marketing televisivo – Emplastro
Secretário de Estado para os Cartazes – Aquele que inventou os do “Já reparou?”
Secretário de Estado para táctica e estratégia – Gabriel Alves
Secretário de Estado para o apoio aos clubes – Valentim Loureiro
Ministério das Finanças em acumulação com o Ministério das vias rápidas, aeroportos e túneis – Alberto João Jardim
Ministério da Economia – Pimenta Machado
Ministério do Trabalho – O arrumador de Carros de Campo de Ourique
Ministério da Cultura –Cinha Jardim
Secretário de Estado da Música – Sandro G.
Secretário de Estado do Parque Mayer – Ruy de Carvalho
Secretário de Estado para o entretenimento popular – Manuel Luís Goucha
Inspector-mor da Comissão de Censura - Sousa Lara
Ministério da Administração Interna – Narciso Miranda (gentilmente cedido pelo PS)
Inspector dos serviços de segurança e defesa do Estado – O porteiro da Kapital
Ministério das Feiras, Praças, Mercados e Lares da Terceira Idade – Paulo Portas
Ministério do Desporto – Pinto da Costa
Secretário de Estado para a conservação dos estádios – Avelino Ferreira Torres
Secretário de Estado para a disciplina no desporto – João Pinto
Ministério da Juventude – Gastão (gentilmente cedido por Ferro Rodrigues)
Ministério da Educação - Paula Bobone
Ministério para a diferenciação de classes - José Castelo Branco
Ministério do Turismo - Paulo China
A bandeira que o meu filho colocou na janela (a mesma que ovacionou Sampaio na sua primeira vitória nas eleições presidenciais), vai continuar para além do Euro, mas, a partir de segunda feira, com outro significado patriótico: apelar à realização de eleições antecipadas!
Terminado o campeonato europeu, não podemos guardar, sem mais, as bandeiras e deitar fora tanto patriotismo! Há mais país, para além do futebol, e a participação e apoio de todos é importante para renovar a política e os políticos, tal como tem sido muito importante para as vitórias da selecção.