O "Público" publica uma importante entrevista com Olivier Roy, director do Centro Nacional de Investigação Científica em França, especialista do mundo islâmico.
Transcrevo a parte final:
P - Como é que se pode combater este tipo de terrorismo?
R - Desde o momento em que tem pouco a ver com Médio Oriente, qualquer aventura militar - que vise controlar um território ou destruir um exército - é um absurdo. Vemos todos os dias que a ocupação do Iraque não muda nada. Só o Afeganistão tinha um sentido, na medida em que a Al-Qaeda tinha aí uma base territorial. Mas já não há aí nem um exército nem uma base territorial... Não podemos portanto combater a Al-Qaeda senão através da polícia, dos serviços de informação e da justiça. No plano político, é preciso fazer tudo para que esta rede - que não tem nem ramo político, nem reservas na sociedade, nem simpatizantes, nem intelectuais, nem jornais, nem sindicatos - não venha a ter bases sociais. É um grupo activista que é preciso isolar. E há uma única resposta para isso: a integração do islão e dos muçulmanos.
P - George W. Bush fala em democratizar o Médio Oriente...
R - ... há uma procura da democracia em toda a região, e até no Paquistão. Mas esta democracia não pode existir senão enraizando-se no nacionalismo. Ora, toda a política de Bush consiste em impor a democracia contra o nacionalismo e, assim, isso não vai acontecer.
Infelizmente, foram necessários os atentados terroristas para que os espanhóis decidissem correr com o PP, a acreditar nas sondagens que no início da semana davam como certa a vitória daquele partido.
Como é que (segundo as sondagens), 90% dos espanhóis estavam contra a participação do seu país na invasão do Iraque, e, se não fossem os atentados, teriam votado no mesmo partido que apoiou essa mesma guerra?
Decidir uma guerra é o assunto mais grave de qualquer país e de qualquer governante, pois traz consequências muito sérias. Se um país decide atacar é natural que seja atacado. Não é isso uma guerra?
Quanto a Portugal, acho que o presidente da República deveria ter evitado que o nosso primeiro-ministro decidisse também apoiar a invasão do Iraque. Nem que para tal tivesse que demitir o Governo! Acho que num caso tão sério como este, deveria ter usado esse poder que a Constituição lhe atribui.
Ainda há razões para a existência do Dia Internacional da Mulher, pois as mulheres ainda são vítimas de discriminações de toda a ordem, em todo o mundo.
A Amnistia Internacional está a promover uma campanha global contra a violência sobre as mulheres, que é uma das mais vastas e persistentes violações de Direitos Humanos.
Eis algumas estatísticas apresentadas pela Amnistia Internacional:
Violência na família
Pelo menos uma em cada três mulheres, ou um total de um bilião, foram espancadas, forçadas a ter relações sexuais, ou abusadas de uma forma, ou outra, nas suas vidas. Normalmente, o abusador é um membro da sua própria família ou alguém conhecido. (E,L Heise, M Ellsberg, M Gottemoeller, 1999)
Violência sexual
A violação é a forma mais violenta de violência sexual. A violação está também associada à gravidez não desejada e às doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV/SIDA. Contudo, a violação não é muitas vezes denunciada devido ao estigma que lhe está associado, e muito menos vezes é punida.
Uma em cada cinco mulheres será vitima de violação ou tentativa de violação na sua vida (OMS 1997)
Na África do Sul 147 mulheres são violadas diariamente (Instituto Sul-Africano para Relações Raciais, 2003).
Nos EUA uma mulher é violada a cada 90 segundos (Departamento de Justiça 2000)
Em França 25.000 mulheres são violadas todos os anos ( European Women´s Lobby, 2001)
Na Turquia 35.6% das mulheres sofrem violação marital algumas vezes e 16.3% frequentemente (Estudos publicados em 2000, Mulheres e Sexualidade nas sociedades muçulmanas. Publicações WWHR: Istambul 2000)
As mulheres e a guerra
80% dos refugiados são mulheres e crianças (ACNUR, 2001)
Milhões de mulheres e crianças em todo o mundo são afectadas por 34 conflitos comunitários, étnicos, políticos e/ou armados (CSP - Centre for Systematic Peace, 2003)
Mutilação feminina
Mais de 135 milhões de raparigas e mulheres têm sido sujeitas à mutilação genital e cerca de 2 milhões estão em risco todos os anos (6.000 todos os dias) (ONU, 2002). 82 milhões de raparigas, com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos, casarão antes do seu 18º aniversário (UNFP)
Em mais de 28 países de África, a mutilação genital feminina é praticada (Amnistia Internacional, 1997)
Na ânsia de ser o candidato apoiado pelo PSD à Presidência da República, Santana Lopes tem tentado melhorar a sua imagem de “bronco” em questões culturais. E não se pode dizer que não se tem esforçado. Só que os seus esforços…
Desta vez, quis deixar o seu nome ligado à criação da Casa Eça de Queirós, mas os seus assessores (incompetentes) confundiram o Hotel Braganza na Rua Vítor Cordon com o Hotel Bragança na Rua do Alecrim. Decididamente, em matéria cultural (e não só) Santana não acerta uma.
Como cidadão de Lisboa, sinto-me envergonhado!
Não podemos permitir que um qualquer Lopes, sem currículo e sem competência para estar à frente da Câmara de Lisboa, aproveite o seu “reinado” para destruir o que a cidade tem de melhor.
Por isso, é de saudar o aparecimento do movimento “Por Monsanto” que visa “avançar rapidamente e em força” contra a instalação da Feira Popular naquele parque florestal.
O grupo de defesa de Monsanto considera “insustentáveis” outros projectos da Câmara como possíveis de ir ocupar o parque: “O que é hoje um imenso espaço público florestal, unidade ecológica e paisagística, que demorou 50 anos a ser construída, de valor ambiental único e aberto à utilização livre, não poderá dar lugar a quaisquer loteamentos ou a áreas vedadas, de utilização paga, com a inevitável construção de estruturas de apoio, parques de estacionamento, destruição de árvores, impermeabilização dos solos e destruição de locais e ecossistemas únicos.”
Acabou não há muito tempo a errância pelo Sul que Janita Salomé protagonizou no CCB. E foi uma viagem fabulosa. De Beja até Tangêr tudo foi calcorreado com a sagacidade de um viajante experimentado mas ainda com o furor da (re)descoberta bem vivo no seu espírito.
Enfim, Janita tem, muito possivelmente, a melhor voz masculina da música tradicional portuguesa e o acompanhamento musical foi absolutamente impecável. Mas tudo isto num CCB apenas preenchido a 2/3. Enfim, quem não foi perdeu TANTO. E o tão pouco que ainda pode fazer é ouvir o último CD – o melhor dentre todos – “Tão pouco e tanto”.
Miguel Aguiar
A Amnistia Internacional inicia hoje, 5 de Março, uma campanha global contra a violência sobre as mulheres, lutando no sentido da erradicação deste flagelo. Esta campanha decorrerá até 2006.
“A Violência Sobre as Mulheres é uma das mais vastas e persistentes violações de Direitos Humanos, e manifesta-se em diversos contextos: na família, na comunidade, nas instituições estatais, em situações de custódia e em situações de conflito e pós-conflito armado.” – refere a A.I.
A campanha incidirá sobre as seguintes direcções: violência na esfera doméstica e comunitária, situações de conflito e pós-conflito; inacção governamental; discriminação; migração económica, tráfico e Mutilação Genital Feminina.
A A.I. indica as maneiras como cada um pode agir, apoiando a campanha:
1.Acompanhando a forma como a sua própria comunidade, governo, forças de segurança e tribunais respondem à violência contra mulheres e raparigas.
2.Falando acerca da violência sobre as mulheres.
3. Subscrevendo os casos-apelo desta campanha.
4. Juntando-se ao Núcleo de Direitos Humanos das Mulheres da Secção Portuguesa. O Núcleo de Direitos Humanos das Mulheres investiga e trabalha acções pré-definidas pela Secção no âmbito da violência sobre as mulheres, num contexto mundial. Este Núcleo está integrado na Rede Internacional da AI que trabalha este tema.
5.Assinando a petição da A.I. a ser entregue à Assembleia Geral da ONU no final de 2005. Várias Secções da AI estão a recolher assinaturas de pessoas em todo o mundo para demonstrar aos governos que é preciso uma acção urgente e efectiva para acabar com a violência sobre as mulheres. Todas as assinaturas serão entregues à Assembleia Geral das Nações Unidas no final de 2005.
O procurador João Guerra é uma pessoa persistente! Não só não desiste, como alargou a sua frente de batalha ao Bloco de Esquerda. Não se pode dizer que seja uma guerra contra a esquerda, porque não inclui o PC. É então um combate contra o PS/BE. Por isso fico na dúvida: João Guerra é um homem de direita ou do PCP? Pior que tudo, é a incompreensível atitude passiva do Presidente da República! Há que tempos deveria ter demitido o Procurador-Geral!
Este governo é fantástico. Não precisa de recorrer ao Luís de Matos, tão pouco às bruxas... Os próprios ministros tornaram-se ilusionistas e com passes de magia vão governando... Há problemas no controlo do défice? Recorre-se ao "Citigroup"... e o défice passa, num abrir e fechar de olhos, de 4,2 para 2,8.
Há problemas no ensino? É mais fácil, ainda - recorre-se ao programa do PP e lá está: exames, exames, exames... E o ministro Justino a pensar (quero dizer, delirar):"Hão-de ver, daqui a uns anos, Portugal será o país da Europa com melhores resultados escolares, graças à minha política!...
É, de facto, um ilusionista, o sr. ministro!
Funcionou na perfeição o frente a frente: "Manuela Moura Gudes versus Avelino Ferreira Torres! Dois excelentes humoristas, como há muito não se via na televisão portuguesa. Eu, pelo menos, há muito tempo que não assistia a um espectáculo tão divertido. De longe, muito melhor que "malucos do riso".
Quanto às imagens, desde o pontapé do Marco que não se via nada assim. Afinal, Portugal tem bons motivos para andar alegre! Penso mesmo que Durão Barroso poderá contratar este duo para distrair o país. E a TVI poderá recorrer ao Presidente da Câmara de Marco de Canaveses para repetir as cenas, nos estádios ou fora deles, talvez venha a ter mais audiência que o "Big brother".
Quem deve estar muito contente é o Paulo Portas. Ei-lo juntamente com Nobre Guedes a ensaiar o slogan: "Ferreira Torres/Governo, a mesma luta!" E a ministra Cardona a gritar: "Assim se vê a força (e a política) do pêpê."
Todo o país bem viu.
As afirmações idiotas e agressivas de Luís Delgado, na sequência, aliás, do seu ídolo (Santana Lopes), são a prova de que Sousa Franco é um bom candidato.