Afirmou Mário Soares, no X Congresso da CGTP, que “o espírito do 25 de Abril está a ser posto em causa por parte de forças políticas de direita, algumas no poder, o que não pode acontecer".
Parece-me que há muita gente que ainda não viu isso, e acredita que as reformas do governo visam a modernização do país. Já deu para perceber há muito tempo que as reformas têm um objectivo bem definido: retirar direitos e regalias conquistadas pelo povo português após o 25 de Abril.
Cavaco Silva tentou e em parte conseguiu. O actual governo é ainda mais à direita. E Durão Barroso, bem acolitado pelo Portas, está a revelar-se tão bom demagogo (talvez ainda mais requintado) quanto Cavaco Silva. Que resultados conseguirá, desta vez a direita? O mesmo é perguntar: como se comportará o povo português? Aceitará docemente as reformas que a direita quer concretizar?
Apesar de visarem o parlamento europeu, julgo que as eleições de Junho serão um teste mesmo quanto à política interna. A ver vamos.
Lê-se e não se acredita. Soletremos bem as palavras do ministro da educação: As médias negativas em Língua Portuguesa e Matemática, em Maio de 2002, revelam o "autêntico descalabro das políticas socialistas."
É que desta vez a desculpa da "herança socialista" atingiu o cúmulo do ridículo. Será demagogia ou perturbação mental? Será que o ministro está mesmo convencido do que está a dizer? Será que ele está a pensar que daqui a uns anos poderá dizer, eufórico e triunfante: a educação em Portugal é agora um sucesso graças à minha política?
Entretanto, já se passaram dois (!) anos da política do sr. ministro! Alguém já descobriu algum progresso?
Noticiam os jornais que o Vaticano condenou a acção das grandes multinacionais farmacêuticas que recusam fornecer medicamentos para tratar crianças vítimas de sida, nomeadamente em África.
O padre Angelo d'Agostino, que tinha ao seu lado o arcebispo Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz denunciou "a acção genocida do cartel das empresas farmacêuticas, que recusam fornecer os medicamentos mais acessíveis em África, ao mesmo tempo que declaram 517 mil milhões de dólares de lucros em 2002".
Acrescentou que esta é "uma questão moral, que revela a falta de consciência social destas empresas capitalistas, que poderiam facilmente salvar as vidas de 25 milhões de pessoas que vivem na África subsariana, que são seropositivas e se arriscam a morrer de sida".
Aplaudo estas palavras, denunciadoras duma realidade cruel, a realidade actual do nosso mundo capitalista!
Porém, acho que devemos pedir à hierarquia da Igreja mais verdade e menos hipocrisia. É certo que são necessários medicamentos para tratar as crianças com Sida, mas não é necessário, antes de mais, evitar que nasçam essas crianças?
Dizem os jornais que o padre d'Agostinho recusou entrar na questão da oposição do Vaticano ao uso do preservativo. "Culturalmente, os preservativos não são aceites por muitas tribos africanas", foi a resposta, uma frágil desculpa, diga-se.
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave;
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou.
A vida - pena caída
Da asa de ave ferida -
De vale em vale impelida
A vida o vento a levou!
João de Deus (1830-1896)
Um dos problemas principais nas sociedades islâmicas é o estatuto de inferioridade da mulher. Por isso, é de aplaudir sem reservas os passos que vão sendo dados pelas próprias sociedades islâmicas, no sentido da democracia e do respeito pelos direitos humanos.
Esqueçamos, por momentos, os neo-conservadores, ex-conselheiros de Bush que pretendem impôr através da guerra os valores ocidentais (no pensamento deles os "valores americanos").
Saudemos, pois, a promulgação do novo Código da Família de Marrocos que estabelece a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Abandonando o princípio da "obediência da esposa ao seu marido", o diploma limita de forma draconiana a possibilidade de a mulher ser repudiada, proibindo nomeadamente o "repúdio verbal" (prática muito corrente), que passa a ser submetida a autorização prévia de um tribunal.
A reforma já foi qualificada como "revolucionária" no contexto de um país árabe muçulmano ligado aos valores do Islão.
O espectáculo “Terra de Abrigo”valeu a pena.
O acompanhamento por uma orquestra clássica de corais alentejanos funcionou em pleno; o cruzamento da música tradicional portuguesa com o flamenco ou com o canto árabe-andaluz realçou (e bem) as raízes do nosso património cultural.
Um espectáculo que revela o que de melhor há na alma portuguesa – o respeito, a dignidade, a elevação e o carinho pelos nossos valores tradicionais.
Um “oásis” no deserto… um momento de resistência contra a “cultura” governamental dominante.
Ou, como diz o meu (assíduo) leitor Raul: “Das poucas coisas boas que podemos usufruir sem o patrocínio dos governantes.”
Outro meu leitor, Rui, por seu lado, comentou: “Há quanto tempo já não lia algo num blogue acerca da nossa música tradicional.”
Não é só na blogosfera este “esquecimento”. A própria Antena 1, como está tão diferente desde a gestão PSD/CDS!... se exceptuarmos o programa “Viva a Música” de Armando Carvalheda, que permanece (até quando?) a promover a música portuguesa e que, por sinal, promoveu este espectáculo.
Hoje foi o dia da Função Pública dizer não!
Correia de Campos, no "Público" de hoje, faz um retrato objectivo da acção do governo na Administração Pública. Transcrevo algumas frases:
"Na retórica do Governo, a reforma da administração está em alta (...) Na realidade, só não temos a montanha a parir o rato por não haver na montanha sinais de gravidez."
"Terminada a "dieta do espanhol", o corpo voltará a engordar."
"Técnicos superiores e dirigentes "zombies" vagueiam pelos corredores, cochicham pelos cantos, ou esperam à secretária, na defensiva."
"Com sadismo inesperado, e contra o que legislou há ano e meio, o Governo oferece viaturas topo de gama e vencimentos ampliados, com retroactivos, aos seus afilhados dos hospitais SA."
"Maior insensatez seria difícil...
Hoje é o espectáculo de Camané, um dos representantes do novo fado português, no Teatro de S. Luís.
Mas como Portugal não é só fado, amanhã é dia do espectáculo "Terra de Abrigo". Ronda dos 4 caminhos + grupos corais alentejanos + orquestra clássica (Sinfonietta de Lisboa) - 70 músicos num cruzamento inédito entre diferentes formas de música. E ainda fado (Katia Guerreiro), flamenco (Esperanza Fernandez e José antonio Rodriguez) e canto árabe-andaluz (Amina Alaoui - Marrocos). No Centro Cultural de Belém. O concerto da noite já está esgotado e o da tarde está quase.
Começaram hoje, no estado de Iowa as "primárias" para eleger o candidato democrata que defrontará Bush em Novembro. Contudo, talvez o resultado já esteja traçado. E o candidato vencedor a priori, Howard Dean, não é muito do meu agrado. Mas também - e é aqui que entra a pior parte - para qualquer candidato democrata com sérias pretensões a ser presidente dos EUA o melhor é mesmo esperar mais uns anos. Isto porque o mais provável é a reeleição de Bush, e a perspectiva de termos o desagradável "arbusto" a governar os destinos da política internacional por mais uma série de anos não é de todo animadora. O que suaviza um pouco a questão é a perda de credibilidade do sector neoconservador - gente perigosa como Paul Wolfowitz e Rumsfeld - e a consequente possibilidade de um "conservador com laivos de democrata" como Colin Powell poder ser cada vez mais influente.
Parece-me agora altura de relembrar aqui a "Doutrina Powel", instituída na administração do Bush-pai. Ela era uma espécie de padrão pelo qual todas as situações de crise deveriam passar para decidir a possibilidade e o cariz de intervenção dos EUA em território estrangeiro. Algumas das premissas indicavam que a utilização da força militar deveria ser apenas empregue em "último recurso" e que os EUA só deveriam intervir se os seus interesses vitais estivessem postos em causa. Ora, a menos que consideremos que o petróleo iraquiano era um interesse vital para os EUA (o que é bem possível), nenhum dos conselhos de Mr. Powell foram seguidos. Aliás, diz-se que uma das razões para ele não ter concorrido contra Clinton foi a não simpatia pelas suas ideias por parte da facção (ainda) mais conservadora do seu partido.
E pensar que não estaríamos nesta embrulhada se Al Gore tivesse ganho, o que aconteceria se os Verdes o tivessem apoiado; a ele, o candidato mais "verde" de que há memória numas presidenciais. Enfim, americanices.
O suplemento "economia" do "Público" insere um texto assinado por Pedro Matos Branco, Economista Sénior do BES, que elogia a política económica do actual governo brasileiro. Escreve, por exemplo:
"... o balanço que se pode hoje fazer é de que as autoridades foram bem sucedidas, encontrando-se a economia brasileira numa conjuntura mais sólida e promissora que há um ano."
E a terminar, escreve o economista: "... é de admitir que o segundo ano do governo de Lula seja um bom ano, de regresso ao crescimento (3,5 por cento), de novos recuos na inflação (5,9 por cento) e nas taxas de juro (13,75 por cento), mais avanços no excedente primário do orçamento do país (4,5 por cento do PIB), uma relativa estabilidade do real (USD/BRL 2,93), um equilíbrio das contas externas (-0,5 por cento do PIB) e um novo patamar para o mercado accionista."
Para quem diz ou pensa que a Esquerda não sabe governar, aí está a prova em contrário!
Disse Santana Lopes, com orgulho, manifestando a sua superioridade quanto à construção de obras públicas, a propósito da candidatura de Carrilho:
"Não sou empreiteiro mas sou político e de um bom político o povo espera obras, não filosofia."
Se Santana Lopes fosse um bom político, não tinha falado antes de tempo. Vamos supor, como eu espero, que os participantes no "Fórum Lisboa" propõem António Mega Ferreira como candidato a Lisboa." Que obras apontará Santana Lopes para contrapor à Expo-98? O túnel do Marquês? Um salão de espectáculos na Figueira Foz? A remodelação (para quando?) do Parque Mayer?
De facto, o povo de um político espera obras e não demagogia.
Escrevi há dias acerca da desejável candidatura de Mega Ferreira, apoiada, entre outros por António Costa. Recebi dois comentários favoráveis que a acham com possibilidades de sucesso. Julgo que muita gente de esquerda a apoia.
António Barreto escreveu, e eu registo aqui a frase:
"Bem sei que, como dizia, mais ou menos, Ignazio Silone, em tempos de hipocrisia, a sinceridade e a candura podem ser as artes supremas do hipócrita." ("Público",18 de Janeiro)
Disse de Mourinho, o jogador Maciel:
"Ele ganha os jogadores e até os jogos nos treinos com a sua conversa."
Ora, como sabemos, as conversas de Mourinho têm resultado em pleno.
O pior é se o primeiro-ministro segue o exemplo e decide "ganhar" os portugueses com a sua conversa. Será que vai conseguiur?
Depois da autoproclamada candidatura virtual à presidência da Câmara de Lisboa, num acto verdadeiramente carrilhiano, ou seja, com vaidade, pompa e circunstância, q.b., começa a gerar-se consenso quanto à possibilidade de o real candidato ser o Mega Ferreira.
Fico mais descansado. É que já estava a ficar preocupado: se Carrilho fosse candidato em quem votaria eu?
Soube pelos jornais que a Madeira tem um novo jornal: intitula-se "Garajau" e tem como um dos seus promotores o madeirense Vicente Jorge Silva.
Como democrata, saúdo o aparecimento do jornal numa região onde a prática democrática é o que todos nós sabemos. A. J. Jardim fará tudo para o destruir.
Penso que todos os democratas portugueses poderão apoiar o jornal, assinando-o, comprando-o. É o que pretendo fazer. Alguém poderá dizer-me onde posso encontrá-lo, aqui, em Lisboa?
Se não fora Ana Gomes que acusou Lamego de ir para o Iraque ao serviço de cimenteiras portuguesas, talvez o jantar de desagravo a este ilustre amigo bushiano não se tivesse realizado.
Pior foi o ridículo destes baronetes do PS ao apresentarem o motivo de tal jantarada: a amizade. Como se ainda houvesse em Portugal algum ingénuo ou tolo que acreditasse nisso!
Pois essa tralha tem um objectivo comum: fazer oposição ao secretário-geral e à linha política vigente da direcção socialista; mas não ousa dizê-lo abertamente, nem se assume claramente como tal. E isso é que é revoltante! E é por isso que a classe política está tão desacreditada. Porque o cinismo e a hipocrisia continuam a minar a credibilidade dos políticos e dos partidos!
Ana Gomes teve, pois, o mérito de fazer sair esta gente da toca do silêncio e da cobardia.
Hoje, Carrilho foi mesmo mais longe: Obviamente, o candidato sou!!! - eis Carrilho no seu melhor!
Registo a ausência no jantar de José Sócrates, o denominado delfim de António Guterres. De momento, não tenho elementos que me permitam analisar o seu significado; talvez, porque ele não seja oportunista ou tenha mais lucidez! Ou simplesmente porque não está para fazer figura triste e ridícula!
Que tem feito o governo português em defesa da língua e cultura portuguesa no mundo? A supressão da cátedra de Língua, Literatura e Civilização Portuguesa na Universidade de Sorbonne é mais um exemplo da decadência do nosso país, cada vez mais de tanga, a caminhar para um eclipse (esperemos que não total, a tempo de podermos recuperar).
Resumindo é assim: o procurador João Guerra juntou ao processo Casa Pia algumas (muitas?) cartas anónimas. Não o deveria fazer. Deveria tê-las destruído, mas não as destruiu. Por incompetência ou por má fé.
Um jornal noticiou que o dito procurador errou!
Mas poucas vozes se levantaram contra a incompetência ou má fé do procurador. Ao contrário, um coro de vozes levantou-se contra o facto de o jornal ter informado que o procurador errou. E até já querem proibir os jornalistas de noticiarem que os procuradores erram, que os juízes erram, que o Procurador-Geral erra! Como se eles fossem deuses!
Tem razão o Luís Afonso (Bartoon): levem-me para um sítio qualquer… tanto faz, desde que se assemelhe a um país…
Segundo o "Público", o Ministro da Educação quer combater o abandono escolar com a nova reforma do secundário, qual varinha mágica para os problemas do ensino!...
Ora, parece-me que é no ensino básico que as taxas de abandono são mais preocupantes. Será que na perspectiva do ministro, os alunos que estão em vias de abandonar a escola no 8º ou no 9º anos já não o fazem porque pensam: "Quem me dera chegar ao 10º ano para usufruir da nova reforma!..."
Alguém (incluindo o ministro) ainda acredita que a reforma vai resolver os problemas do ensino?
Meu caro Ministro: onde está o fulgor (demagógico?) dos primeiros meses da governação, quando alardeava que iria resolver todos os problemas? Agora, veja bem quantos solucionou... e quantos novos criou... Com a sua idade já não devia embarcar em ilusões!...
(Atenção: a Reforma que vai entrar em vigor em Setembro é uma reforma da Reforma concebida pelo governo socialista.)
A Irlanda espera fazer uma melhor Presidência da União Europeia do que fez a Itália. Acredito, obviamente! Pior do que a Itália de Berlosconi será difícil!
Leio o anúncio nos jornais: "Atenção: As obras do Túnel do Marquês estão a avançar."
Deve ter havido engano. Não ficará melhor dizer: Túnel do Santana Lopes?
Paulo Cunha e Silva, actual director do Instituto das Artes, do Ministério da Cultura, que fez parte da equipa da “Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura”e integrou a comissão de honra da candidatura de Ferro Rodrigues, dá ao “Público” uma entrevista, em que apresenta, nada mais, nada menos, do que um programa de um Ministério da Cultura, sendo ele apenas um director-geral do discreto ministro Pedro Roseta.
Transcrevo algumas frases:
“Aliás, um dos departamentos centrais deste instituto é o de descentralização e formação de públicos, que tem como objectivo fazer o reordenamento cultural do território, que é absolutamente desajustado. É preciso criar condições para que esta intenção de descentralização não seja adulterada.”
“Este instituto vai privilegiar sobretudo estruturas que tenham essa capacidade de agir local e pensar global.”
(Desejo) “um país cosmopolita, contemporâneo, experimental, que não seja só o país do fado, o país triste, do vinho do Porto.”
“Um país internacionaliza-se a partir dos seus artistas, mas não se tem que perceber que eles são portugueses porque eles são naturalmente portugueses.”
Pelas suas afirmações claras e lúcidas acerca do papel do Estado em relação à Cultura e pela sua personalidade, julgo que temos aqui um futuro ministro da Cultura de um futuro governo de Ferro Rodrigues/PS. Julgo mesmo que o próprio Ferro Rodrigues poderá convocar o professor Carrilho e dizer-lhe: Caro camarada, dispenso a sua colaboração!
Entretanto, seguiremos com atenção o percurso do actual director do I.A., nomeadamente o seu posicionamento em relação ao governo PSD/PP.
Um dia, quando deixar a presidência, vamos ter saudades do presidente Jorge Sampaio! Pelas suas qualidades pessoais, pela humanidade que transmite, pela serenidade, pela cultura, pela elevação política. A história certamente registará este Presidente da República ímpar. (E afastemos de nós, neste momento, maus pressentimentos ou agouros sobre a possibilidade de suceder-lhe um qualquer Lopes, que seria exactamente o seu oposto, como se do dia passássemos repentinamente para a noite…).
Pois o nosso presidente no seu discurso de ano novo veio dizer que "os portugueses exigem políticas activas que encontrem soluções sustentadas para os problemas que o país enfrenta". E mais: "O ano de 2004 pode ser, tem de ser, o momento de viragem por que os portugueses anseiam".
Ora, parece-me que Jorge Sampaio terá esquecido o ditado popular: “Quem não tem, não pode dar”, ou então passou a acreditar em milagres!...
Por uma vez, estou de acordo com o partido de Manuel Monteiro. "O que a Nova Democracia faria se estivesse no Governo era pedir ao Presidente da República a substituição imediata do procurador-geral da República, já que é ele o principal responsável por esta situação."
Na verdade, dizem que devemos deixar a Justiça funcionar, mas como pode a Justiça funcionar bem com pessoas incompetentes como o procurador João Guerra e o Juíz Rui Teixeira e um procurador-geral sem autoridade?
Apesar de as expectativas políticas para 2004 serem muito negativas, vale sempre a pena sonhar. O sonho ajuda-nos a viver e a lutar. Sonhemos, pois, neste primeiro dia de um novo ano. Nada melhor do que nos sintonizarmos com o Zeca Afonso. Felizmente, ainda existem muitos "filhos da madrugada"!
Utopia
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
Letra e música - José Afonso
In "Como se fora seu filho", 1983