novembro 30, 2003

Os alemães e os portugueses

Somos o país mais atrasado da União Europeia. Mas, por vezes, temos a mania que somos melhores que os outros; outras vezes, tomamos consciência que erramos, mas não queremos reconhecer os nossos erros.
Hans Eichel, ministro das finanças alemão afirmou que a melhor prova de que o Pacto de Estabilidade e Crescimento não funciona em tempos de crise é a recessão que Portugal está a atravessar: “Portugal seguiu os conselhos da Comissão e acabou em recessão, e terá no próximo ano um défice superior a cinco por cento.”
Apesar do fracasso evidente, ainda há quem continue a defender a política do governo. Outros perceberam o erro, mas não o querem reconhecer directamente; é o caso do próprio governo: o apoio à França e a Alemanha não é uma forma indirecta de reconhecer o fracasso da sua política?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:57 PM | Comentários (1) | TrackBack

João Soares não deixou saudades

Os lisboetas estão satisfeitos com Santana Lopes. Se as eleições fossem agora, Santana ganharia por 56 % contra 29 % para Soares. É caso para dizer que João Soares não deixou saudades... Seja pela obra feita, seja pelas promessas, seja pela demogogia ou populismo de S. L., a verdade é essa.
E pelo andar da carruagem... a única maneira de nos vermos livres do personagem em Lisboa, é votarmos nele para Belém... Perdia o País, mas ganhava Lisboa!

Publicado por Paulo Ribeiro em 05:46 PM | Comentários (4) | TrackBack

"Nevoeiro"

Fernando Pessoa morreu no dia 30 de Novembro de 1935.
A 30 de Novembro de 1993, quando Jorge Sampaio era Presidente da Câmara de Lisboa e João Soares vereador da cultura, foi inaugurada a Casa Fernando Pessoa, nesse mesmo local onde o poeta morreu e viveu os seus últimos 15 anos, no nº 16 da Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique.
É dia, portanto, de homenagear o poeta.

Do seu livro "Mensagem", "Nevoeiro":

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Publicado por Paulo Ribeiro em 05:02 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 27, 2003

"População Sonha com Soberania Espanhola"

Não raras vezes, os melhores textos jornalísticos encontram-se escondidos nas páginas interiores.
É o caso de uma reportagem sobre a freguesia de Pias, em Serpa, hoje, no "Público"/local. Eis algumas opiniões recolhidas pelo jornalista Carlos Dias:
António Jacinto, 33 anos: "... sinto uma enorme revolta por haver tanta terra boa e ninguém a pôr a render a não ser os espanhóis, que já compraram as grandes propriedades da região".
Uma trabalhadora: "Os espanhóis são praticamente os únicos que nos dão trabalho".
Vicente Angélica, 29 anos: "... se não forem os espanhóis a terra fica abandonada".
Um comerciante: "Atão se a gente não não utiliza [a terra], utilizam eles"(os espanhóis).
António Rosado: "... a maior parte das pessoas só querem ser espanholas."
Francisco Moreira, presidente da Junta de freguesia de Pias:"... tal como nos tempos negros de antes do 25 de Abril, as mães voltam a tirar da barriga para dar aos filhos. Se hoje fizessem na terra um referendo, a maioria votava pela sua integração em Espanha. As pessoas comparam sobretudo a forma organizada como [os espanhóis] trabalham". Os empresários do país vizinho transformam herdades alentejanas deixadas ao abandono em propriedades belíssimas. Trazem com eles um "know how" que os seus congéneres portugueses não possuem. Estes só se preocupam em andar de jipe, viver de subsídios e passar a vida em férias".

E assim está o nosso país! Parabéns ao jornalista Carlos Dias pela excelente reportagem.

Publicado por Paulo Ribeiro em 11:17 PM | Comentários (1) | TrackBack

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes recebeu o Prémio Internacional União Latina de Literaturas Românicas.
Segundo o escritor Mário Cláudio, A.L.A "é certamente o maior escritor português vivo, um dos grandes da Europa e um enorme escritor de todos os lugares e de todos os tempos." (Que Saramago não o ouça...).
Num tempo em que qualquer um escreve um livro (jogadores e treinadores de futebol, artistas pimba, figuras do "jet-set" e quejandos...); e se julga que para escrever um livro basta alguém sentar-se e escrever o que lhe vem à cabeça, vale a pena ouvir Lobo Antunes:
"Escrever pressupõe um estado de inquietação" (...) é "como um cego que avança a tactear" , porque o difícil nem é escrever, difícil é corrigir, sempre corrigir. "O bom escritor é o que mais trabalha".

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

A Ilha do Pico, RTP2,21.30

Os Açores são aquele "paraíso" no meio do Atlântico, onde ainda é possível sentir o mistério da criação do Cosmos. Sentir a Natureza ainda na sua pureza inicial, simultaneamente amiga e violenta, terna e aterradora. Digo "ainda", porque muitas zonas do próprio Arquipélago já foram "manchadas" pelo homem, esse ser estranho que, por onde passa, destrói a natureza à sua volta, a própria natureza de que depende para (sobre)viver.

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novembro 26, 2003

Durão Barroso e o Papa

Durão Barroso é um homem feliz, à direita do Papa. A fotografia, que inclui a sua esposa, Margarida Sousa Uva, além de vir a integrar o álbum de recordações do primeiro-ministro, servirá certamente para cativar os eleitores do “Portugal profundo” em próxima campanha eleitoral. Mesmo que o encontro com o Papa tenha demorado uns escassos sete minutos!

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ainda os assobios de portugueses a portugueses

Escrevi aqui, a propósito do Portugal –Bélgica, que os portugueses, ao assobiarem a sua própria selecção de futebol, estão a assobiar-se a si próprios.
Concordo, pois, com o Medeiros Ferreira, quando escreve: “Os portugueses andam com vontade de se assobiarem uns aos outros. Os estádios inaugurados para o Euro 2004 desencadearam esse fenómeno irreprimível e tornaram-se numa espécie de salas de assobiadelas assistidas.”

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

O mundo está mais desigual

“Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”.
O relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) vem, uma vez mais, constatar esta triste realidade. Existem actualmente cerca 842 milhões que passam fome, mais 18 milhões do que o que tinha sido registado em 1995-97. Só nos países em vias de desenvolvimento há, todos os anos, mais cinco milhões de pessoas subalimentadas.
"Sabemos o que é preciso fazer, mas falhámos", disse ontem à Reuters Ali Gurkan Arslan, editor-chefe do relatório da FAO. "As estimativas de que dispomos indicam um retrocesso". Ao longo de toda a década de 90, só 19 países conseguiram reduzir o número de pessoas com fome; aconteceu no Brasil, na Guiné, Namíbia e China, por exemplo. O relatório estabelece uma ligação clara entre a fome e as taxas de prevalência do HIV/SIDA. Em países onde a epidemia tem devastado a mão-de-obra, sobretudo os agricultores, as crises alimentares têm assumido proporções muito maiores. A seca é também uma das causas para a escassez de alimentos nos países em desenvolvimento.
No entanto,conclui o relatório, o que falta é “vontade política" para resolver o problema da fome no mundo. "Pouco é dito e ainda menos é feito".

Este é um mundo de desiguldades gritantes. Nas nossas sociedades desenvolvidas, o capitalismo global enriquece uma minoria à custa das matérias primas e da exploração da mão-de-obra barata dos países pobres. É o “homem o lobo do homem”?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

"O que se quer é construir à balda..."

Como escreveu aqui, ontem, um meu leitor, “este homem ( Ribeiro Telles) anda a gritar no deserto há anos.” Os nossos governantes bem “podiam aprender alguma coisa com ele. Teme-se que voltem a fazer mais do mesmo...” E não é porque sejam burros ou incompetentes. É porque estão envolvidos em negociatas, os seus interesses são económicos...

E já que o “Público”, novamente se lembrou de pedir uma opinião ao arquitecto, desta vez a propósito do aluimento em Lisboa que ia “engolindo” um autocarro, volto a transcrever parte dessas afirmações, embora saibamos que é “gritar no deserto”:
“Vai haver mais casos destes. Em Alvalade há uma zona idêntica à de Campolide. Em Chelas, no Vale da Montanha, e no Vale de Santo António (onde a EPUL vai construir) está-se a cometer o mesmo erro, sem qualquer cuidado com a circulação das águas pluviais. (...)
O acidente resulta do encanamento da ribeira de Alcântara (o caneiro de Alcântara), que até aos anos 40 do século passado corria entre muros de pedra seca com cerca de um século que foram cobertos por betão. Não se pode pensar que toda a água pluvial, que vem de longe, da Amadora, acerte no caneiro, alguma vai sempre para fora, forma lençóis de água na estrada, infiltra-se no solo, procura outros escoamentos. Ao fazê-lo, criam-se zonas mais frágeis ou ocas no terreno.(...)
O projecto para a circulação de águas pluviais para Lisboa não foi realizado, apesar de estar feito. A água não pode estar toda canalizada, tem, antes disso, de correr ao ar livre passando por bacias de retenção que permitam, entre outras coisas, controlar os caudais. Hoje já ninguém se lembra de meter a água da chuva em canos. Essa água aproveita-se.
Já no tempo de João Soares os técnicos não quiseram fazer isto. O que se quer é canalizar para depois se poder construir à balda. É o modelo que se está a seguir em Chelas. E, no entanto, a câmara de Lisboa tem toda a zona frágil da cidade - a chamada zona húmida - em plantas. E a actual equipa que revê o PDM continua a apostar nas canalizações".

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 25, 2003

Atestado de ignorância e incompetência

Comentando opiniões do secretário de Estado da Floresta, o arquitecto Ribeiro Teles, com a autoridade que se lhe reconhece, considerou que os governantes responsáveis por este sector são ignorantes e incompetentes. “Os actuais governantes – afirmou - revelam poucos conhecimentos sobre a matéria à sua responsabilidade. Eles falam de floresta, mas nós não temos floresta, nós temos matas. Olham para a floresta apenas como povoamento com eucaliptos e pinheiros.” As suas políticas conduzirão ao “desiquilíbrio total do território, o despovoamento do interior e o fim para o pouco que resta da agricultura.”
“O que nós precisamos – continua o arquitecto – é de uma agricultura mediterrânica, policultural e não transformar o nosso país num produtor de pau. A floresta deve ser, acima de tudo, um espaço de biodiversidade”.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:23 PM | Comentários (1) | TrackBack

Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres

É um dia para os homens! Para os homens pensarem nas formas como tratam as mulheres. Quantos homens, mesmo os que se prezam de ter uma mentalidade avançada, ou se afirmam de esquerda e mesmo de extrema-esquerda, não encaram ainda as mulheres como o “sexo fraco”? Na intimidade da casa, nas empresas, na comunicação social, no marketing, na publicidade!?
E quantas mulheres não mantêm interiorizada a ideia, muitas vezes inconsciente, de que são o “sexo fraco”?
Parece-me que nas leis, o principal está feito, avançou-se muito quanto à defesa dos direitos da mulher. Porém, a concretização das leis, as medidas concretas de promoção e protecção dos seus direitos tem sido uma tarefa muito lenta e muito há a fazer. Quanto à mudança das mentalidades, essa é tarefa para muitos anos ou gerações!...

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 23, 2003

"Os donos deste mundo" também têm culpas...

A frase é de um actor turco, depois dos atentados na Turquia: "Os donos deste mundo devem ser questionados por tudo isto, foram eles quem educou e treinou os autores destes atentados, para depois os deixarem à solta."

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:54 PM | Comentários (3) | TrackBack

Que futuro para os terrenos entre Pedrouços e Dafundo?

Outro projecto para Lisboa é o da reconversão de Pedrouços, que tem causado também muita polémica. Seleccionei do mesmo jornal a opinião do arquitecto Manuel Graça Dias:
"Por que é que a Taça América não pode ter lugar só em Cascais? Está a apostar-se num lazer que não é necessariamente de todos. E ainda que fosse! O rio não pode ser só lazer, tem de continuar ligado ao trabalho, e a ter áreas de refúgio para os pescadores do Tejo. As cidades possuem cada vez menos estruturas ligadas ao trabalho, o que é uma situação caricata e ridícula. Os locais não podem ser monofuncionais, só para turistas.
Acho a Expo o sítio mais feio do mundo: é um sítio foleiro, tão desinteressante como qualquer subúrbio. Mas tem uma aura de habitação de luxo e as pessoas papam aquilo. Portugal não tem assim tantos novos-ricos, por isso não vejo necessidade de abrir novas frentes de construção junto ao rio. Ainda se dissessem que iam ali fazer centros de investigação, ou qualquer coisa mais ligada ao mundo do trabalho e da cultura... Escritórios? Já há muitos em Lisboa. Habitação social? Dirão logo que os pobres não têm direito a viver em sítios bons."

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

Especulação imobiliária ou equilíbrio ecológico?

E acrescenta o arquitecto: "As torres e os blocos foram tipologias que o Movimento Moderno inventou e de que a especulação imobiliária se aproveitou, vendendo metros quadrados de construção mas escamoteando "a verdura, o sol e o ar" que as deveria rodear.(...)
O problema básico, tal como se coloca perante a revisão do PDM em curso, é o de saber o que fazer às áreas de reconversão urbanística, as fábricas que já não o são, os quartéis inúteis ou as áreas portuárias desafectadas e saber se devem ser atafulhadas de habitação altamente lucrativa, muitas sob o figurino de "condomínio privado", ou contribuírem para o equilíbrio ecológico, para o reequipamento da cidade, para a tranquilização do tráfego em lugar de aumentar a incomodidade, e portanto, para beneficio de todos."

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

O projecto das torres para Alcântara

O “Público” está a realizar um inquérito junto dos arquitectos portugueses sobre o projecto das Torres de Siza Vieira para Alcântara. As respostas, a favor e contra, têm sido muito interessantes e positivas.
Hoje, por exemplo, vem a resposta do conceituado arquitecto Francisco Silva Dias: “Considero que as torres de Alcântara são agressivas para a nossa cidade. (...) Agressivas como tentaram ser há tempos as Torres do Tejo, ou o "Manhattan de Cacilhas", ou até o elevador de S. Jorge que a humildade democrática de João Soares retirou de cena a tempo. Construir edifícios altos e de profundas fundações na embocadura de um vale como o de Alcântara, para além dos desequilíbrios ecológicos que pode acarretar, é atitude anticultural se a cidade for tida no seu todo e na sua delicadeza e singularidade, como objecto artístico e, portanto, de valor patrimonial”.

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:22 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 22, 2003

A comunicação entre pais e filhos

"Continuando ler a revista “XIS”, transcrevo uma resposta da entrevista do Psiquiatra João Hipólito: “ Noutras épocas os pais tinham mais tempo, havia mais disponibilidade interior, a transmissão do conhecimento fazia-se por companheirismo. Havia um enriquecimento da comunicação. Embora houvesse coisas erradas, como a violência, por exemplo, o acompanhamento era mais consistente. Hoje a maior parte da aprendizagem faz-se através da televisão e a realidade é mais confusa, o que torna mais confusos os adolescentes. A transmisão oral, envolvida numa relação afectuosa entre duas pessoas e não desencarnada, como hoje acontece, desapareceu.”

Publicado por Paulo Ribeiro em 11:30 PM | Comentários (3) | TrackBack

Assédio moral

Daniel Sampaio escreve, na revista “XIS”sobre este tema bem actual. A terminar, afirma que o assédio moral é um “conjunto de críticas, insinuações e desqualificações que vitimizam um trabalhador, levando-o a que ele peça a demissão ou caminhe para a reforma antes de tempo. Os agressores podem ser os chefes ou colegas desejosos de subir na empresa, que actuam de modo directo ou disfarçado. (...) Em França, é possível aplicar a lei, que pune o agente perturbador e o responsável da empresa, desde que se provem os factos. E em Portugal?”

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:30 PM | Comentários (2) | TrackBack

O ministro da cultura interessa-se pela Cultura?

Joe Berardo é um dos maiores coleccionadores de arte da actualidade. A sua colecção é a mais importante de arte moderna e contemporânea com mais de 1000 obras e sede em Portugal Acontece que J. Berardo é português. Acontece que há mais de um ano tem vindo a discutir com o governo a ida da sua colecção para o Centro Cultural de Belém ou outro espaço que o Estado queira ceder. Acontece que há uma proposta “muito atractiva” de uma instituição com sede em Miami. E acontece que o governo português há mais de um ano que está a pensar...
Que acontecerá?
Neste país, tudo é possível. Já nada nos espanta.

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novembro 21, 2003

Bush não é a América

Mais um editorial do director do “Público” em defesa da política norte-americana, confundindo a América com Bush. Ora, confundir Bush com os EUA, só por ignorância ou má-fé. Como José Manuel Fernandes não é ignorante, só o pode fazer por má-fé. Acresce o facto de o actual presidente ter sido eleito por menos de 50 % de americanos. Mas mesmo que fosse por mais... J.M.F. fala também da Europa. Ele sabe que um dos grandes males actuais é o mundo não ter estadistas de grande nível, pelo contrário, lembremo-nos, para além de Bush, de Chirac e Berlusconi e mesmo os outros...

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

"Não era já altura de crescermos?"

Pergunta Nuno Pacheco ("Público") e eu estou de acordo com ele. Desde os jovens futebolistas até aos governantes, passando pelos empresários, jornalistas, por quase toda a gente, os portugueses têm manifestado comportamentos infantis e imaturos, numa "alegre e juvenil irresponsabilidade".
Também Francisco José Viegas afirma: "Portugal está um país tonto, vulgar e sem pretensões...". "Este embrutecimento subtil ameaça alastrar-se à vida toda dos portugueses..."."Culpem a canalha que se apropriou dos ecrãs e que gostaria de transformar Portugal numa espécie de deserto, rendido a tudo o que desafia a cultura, a inteligência e a sensibilidade."
Quanto aos nossos jovens futebolistas, escreve Rui Baptista: "Com a bênção do Estado foram arrancados às escolas bem cedo e formatados para andarem aos pontapés por esses relvados. Em vez da cultura dos livros, têm a cultura do balneário. A cultura dos diários desportivos, das meias palavras, dos "blackouts", do "grupo de trabalho", das claques organizadas. Eles são o produto do meio em que cresceram."

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:08 PM | Comentários (1) | TrackBack

Só Luís de Matos ...

“Só Luís de Matos nos poderá salvar...”- terá gritado em pleno Conselho de Ministros Manuela Ferreira Leite. Segundo o “Inimigo Público”, a ideia é "fazer desaparecer o défice em Portugal, fazendo-o surgir depois em Espanha.”
Na verdade, depois de tantos truques e malabarismos sem resultado, o melhor mesmo é recorrer a um mágico de verdade.

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novembro 20, 2003

A luta dos indígenas do Brasil

Conhecemos pouco da luta dos indígenas do Brasil.
Noticiam os jornais de hoje que falta só a assinatura do presidente brasileiro para homologar a área da Raposa-Serra do Sol, reivindicada pelos índios. Esta área situa-se no Nordeste do Brasil, na ponta norte do Estado do Roraima, entre a Venezuela (a leste)e a Guiana (oeste).
Os povos indígenas, como sabemos, representam as raízes da cultura do Brasil, mas são os mais desamparados entre os pobres daquele país. Em 2003, numa população de mais de 40 mil índios, há 251 professores indígenas a trabalhar em 113 escolas básicas e três secundárias, com quase 4600 alunos.
A hierarquia da Igreja católica brasileira (nomeadamente bispos), tem apoiado essa luta pela dignificação dos índios, assim como o PT e Lula da Silva que, agora no poder, confrontado com interesses económicos e políticos, está hesitante.
Está a decorrer um abaixo-assinado para entregar ao presidente.


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De “bom aluno” a “Chico esperto”

O Governo prepara-se, novamente, para vender património e assim cumprir o pacto de estabilidade.
No tempo de Cavaco, Portugal era conhecido pelo “bom aluno”.
No tempo de Durão, nem isso. Portugal é, agora, o tipo de aluno que promete estudar e fazer os trabalhos de casa; mas, ou é burro e não consegue por mais que se esforce, ou é um cábula e espera safar-se, à última da hora, confiando nas suas habilidades e, apresentando à sucapa, resultados que lhe permitem passar no exame embora com a nota mínima.

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Jovens futebolistas vândalos...

Portugal continua a ser falado no estrangeiro pelos maus exemplos. Desta vez os vândalos foram os jovens futebolistas. Será que depois da “geração rasca” do tempo do cavaquismo, assistimos ao aparecimento de outra “geração rasca”, no tempo do barrosismo?
Mas, evidentemente, que não são apenas os jovens que adoptam este tipo de comportamentos. O país está mal, desorganizado, com falta de autoridade, insatisfeito, deprimido, e em momentos de crise surgem estas atitudes... De qualquer modo, não há razão para desculpar os futebolistas, que apesar de jovens, são profissionais e têm que assumir as suas responsabilidades!

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:06 PM | Comentários (1) | TrackBack

Generosa América...

Alguns analistas políticos andam muito desgostosos, tristes e desiludidos com a política norte-americana porque, como escreve, por exemplo, o general Loureiro dos Santos: “A mensagem que está a ser transmitida é que os norte-americanos decidiram submeter toda a sua estratégia, no Iraque e em todo o Médio Oriente, às necessidades da campanha eleitoral de Bush.”
Pergunto eu: Alguma vez, um qualquer presidente norte-americano não condicionou a sua política interna e externa à sua campanha eleitoral ou à do seu partido?
E acrescenta o general: “Quero acreditar que isto não acontecerá. Além do mais, seria uma atitude que não corresponde à ideia que tínhamos sobre a generosidade da América.”
Pergunto: Como é possível, nesto ano de 2003, haver alguém que ainda acredita no mito da “generosidade da América”?

Publicado por Paulo Ribeiro em 12:18 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 19, 2003

Quem não detesta W.Bush?

A notícia: “Os britânicos gostam da América mas detestam o seu presidente.”
Pergunto: Se exceptuarmos a percentagem de norte-americanos que votou nele (a qual nem chegou aos 50%), quantos mais é que não detestam W. Bush?

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:07 PM | Comentários (4) | TrackBack

Tanta austeridade para nada

Eis a notícia: O Banco de Portugal estima que, sem o recurso a medidas extraordinárias, o défice de 2003 será de 5%; superior, portanto, ao verificado em 2001 e 2002. Isto significa que “para atingir a meta do governo (2,9% do PIB) será necessário garantir receitas extraordinárias superiores a 2% . O mesmo banco afirma ainda que a recessão em 2003 será mais profunda do que se esperava."
Ora, se o país, durante quase dois anos, não fez outra coisa senão viver em austeridade com um único objectivo: baixar o défice, para que serviram, afinal, estes quase dois anos?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:47 PM | Comentários (2) | TrackBack

Alberto João já não surpreende

Luís Gabriel Rodrigues foi presidente de uma Câmara da Madeira, mas não foi um simples presidente. Pertenceu à comissão política regional do PSD e foi presidente da Associação de Municípios da Madeira; isto significa que foi um “fiel” de Alberto João, porque naquela Região, dita autónoma, só os amigos do chefe exercem cargos importantes.
O homenzinho deu entrada na cadeia para cumprir uma pena de 5 anos e 6 meses por prática de crimes de burla qualificada, peculato e falsificação de actos.
Ninguém esperaria que Alberto João, seu amigo, o reprovasse. O que o chefe madeirense mais teme é que alguém descubra provas do seu envolvimento em actos de corrupção ou cumplicidade. De outra forma como entender as suas palavras: “Só tenho medo é que a República me faça ficar lá (cadeia) dentro”?
Ainda bem que há a República e não o Estado Novo, como ele desejaria.
Qunto ao sr. Luís Gabriel, o seu processo foi despoletado quando o PS, ao vencer uma junta de freguesia, detectou anomalias na autarquia, até então sempre dirigida pelo PSD.
Ora, como toda a gente sabe, na Madeira, o Governo Regional e a esmagadora maioria dos concelhos e juntas de freguesia sempre foram governados pelo PSD. A haver corrupção, há cumplicidade.
A sorte de A.J.Jardim é ser “rei” dum povo cego e ignorante que vota sempre nele e assim continuará a votar enquanto ele quiser!

Publicado por Paulo Ribeiro em 05:31 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 18, 2003

Figo tem Razão

Disse Luís Figo: “ Se as pessoas vão ao estádio é para apoiar a sua equipa. Se não, não valerá nada jogarmos o Europeu em Portugal, mas em outro qualquer país, onde talvez tivessemos mais apoio.”
Figo tem toda a razão. Os jogadores portugueses, principalmente o Figo são mais admirados no estrangeiro do que no seu próprio país. Isto não acontece só com o futebol. É um mal português e já vem de longe!
Por outro lado, os emigrantes portugueses não costumam assobiar a selecção portuguesa.
Por isso, um país como a França ou a Suiça garantiria melhor apoio do que Portugal.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:13 PM | Comentários (1) | TrackBack

Manuela Moura Guedes

Manuela Moura Guedes deve estar muito feliz. Mais felizes devem andar os seus chefes e donos pelo seu desempenho bastante eficiente na TVI.
É a própria M.M.G. que afirma ao "Diário de Notícias": "A nossa opinião pública vive adormecida."
Ora bem, que tem feito MMG na TVI? A sua função não tem sido adormecer o povo? Podemos pois dizer: missão cumprida!

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:32 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 16, 2003

E Gilberto Madail? Será normal?

O que é pior: os assobios dos portugueses à sua selecção de futebol ou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol considerar que esta atitude "é normal"? Qual será o conceito de normalidade para Gilberto Madail? Será que ele próprio se considera normal? O presidente da Federação afirmou ainda: "Gostei de tudo". Será que gostou também dos assobios?
O dever da Federação Portuguesa de Futebol não seria promover uma campanha de civismo, explicando aos portugueses como se deve assistir a um jogo de futebol? Afinal, quais são os convocados que precisam de melhor preparação para o Euro 2004: os dentro do campo ou os de fora?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:56 PM | Comentários (1) | TrackBack

Os assobios a Portugal

Que país é este em que os portugueses assobiam a sua própria selecção de futebol?
Como é possível assobiar um Luís Figo que é sinónimo de Portugal? Em quantas partes do mundo o nome de Portugal só é conhecido apenas porque conhecem o Figo?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 15, 2003

"Quando a obra está pronta toda a gente se encosta"

Diz Carlos Queirós, numa entrevista ao "Público": Aconteceu com a Expo-98 e com o Centro Cultural de Belém. Projecta-se e critica-se até três meses antes, quando a obra está pronta toda a gente se encosta. Os que a promoveram, os que a construíram e os que a criticaram. (...) O mesmo acontece com o Euro 2004. (...) O mérito do Euro 2004 não pode ser retirado aos que o conceberam e lutaram por esta iniciativa, da Federação e o seu presidente ao governo da altura: merecem todo o nosso respeito e apoio."

Ora, todos nós estamos bem lembrados das críticas feitas pelos actuais presidentes das câmaras de Coimbra e do Porto e de outros elementos da oposição da altura. Ora bem, a obra ainda não está pronta, mas eles já estão todos "encostados". É só elogios vindos precisamente das mesmas pessoas e do actual governo, com excepção, talvez, de Rui Rio.

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:34 PM | Comentários (2) | TrackBack

SÓS

O secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, iniciou uma visita ao Japão e Coreia do Sul para tentar convencer os seus principais aliados asiáticos a enviarem soldados para o Iraque.
Mas não tem encontrado resposta positiva. O Governo japonês reconheceu que a situação no Iraque é "demasiado movediça para enviar de momento tropas das Forças de Autodefesa". A Coreia do Sul decidiu enviar um máximo de 3000 homens, mas no quadro de missões que não sejam de combate. O mais recente fiasco foi o caso da Turquia que cancelou o envio de 10 mil militares. Outros aliados, como o Paquistão ou a Índia, também recusaram o seu contributo.

Ou seja, Os EUA vão ficando cada vez mais sós! Nunca esperava ver (e tão rapidamente!) o senhor todo poderoso do mundo ajoelhado perante os outros países a suplicar S.O.S.
Estas três letras S.O.S (o sinal internacional a pedir socorro) são as mesmas com que se escreve em português sós!

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 14, 2003

Quem são os verdadeiros culpados?

Já começaram a culpar os jornalistas atacados no Iraque, dizendo que foram imprudentes. O Governo e a GNR já vieram “lavar as suas maõs”, dizendo que não estavam em condições de garantir segurança.
Ora bem, estes jornalistas trabalhavam para si próprios ou para empresas de comunicação social? Tomaram eles a iniciativa ou foram enviados pelas respectivas empresas para as quais trabalham? Face à recusa do Governo em garantir a segurança, que recomendações, que conselhos, que ordens, receberam os jornalistas das suas empresas? Não competiria àqueles que os enviaram, avisá-los de que a situação é perigosa e exigir-lhes que não entrassem no Iraque sem segurança? Quem são, afinal, os responsáveis?
E ao primeiro-ministro não cabe também uma quota parte da responsabilidade, ao envolver o nosso país nessa guerra absurda, enviando inclusive uma força policial, cujas acções os jornalistas portugueses iam cobrir?

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:57 PM | Comentários (1) | TrackBack

Feira de Agricultura biológica

A agricultura biológica tem ainda em Portugal pouco desenvolvimento. Como em quase tudo (como sabemos), o nosso lugar é a cauda da Europa. E, como sempre, as culpas são de todos: dos governos que não a promovem, dos empresários que não têm iniciativa, dos portugueses que não consomem.
De hoje a Domingo, na Fundição de Oeiras decorre a Feira de Agricultura Biológica, com exposição e venda de produtos, espaços de gastronomia, conferências, ateliê de educação ambiental e animação.

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:24 PM | Comentários (2) | TrackBack

Tempos Modernos

Estamos sempre a queixar-nos da televisão, nomeadamente da pública, mas ainda encontramos bons programas, bons filmes. É o caso de “Tempos Modernos”, uma das obras-primas de Charlie Chaplin. Hoje, às 24 horas, na RTP2.
A ver ou a rever e mesmo “trever”. Sempre actual. Um retrato cruel da desumanidade (no trabalho), do desemprego, da pobreza, da fome. As obras-primas são sempre actuais.
Esperando (será que podemos ter esperança, ó Sarmento?) que o canal que vai substituir a RTP2 seja de qualidade.

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

Não às "Torres do Siza"

Não às "Torres do Siza"!

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:40 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 13, 2003

A tragédia iminente

A situação no Iraque continua a agravar-se.
Segundo os jornais de hoje, várias sondagens mostram que a população iraquiana tem cada vez menos confiança nas forças de ocupação. Apenas cinco por cento dos inquiridos acredita que os EUA invadiram o Iraque “para ajudar o povo iraquiano” e apenas um por cento acredita que fosse para estabelecer a democracia no país.
Por outro lado, um relatório da CIA afirma que a situação de segurança vai piorar. Considerando que há um crecente apoio popular às guerrilhas que combatem as forças de ocupação, os próprios serviços secretos afirmam que os esforços de reconstrução do país podem entrar em colapso e que nenhuma das instituições governativas tem demonstrado qualquer capacidade para governar o Iraque, escrever uma Constituição ou organizar eleições.
Entretanto, acossados pelas dificuldades, os EUA preparam-se para abandonar o Iraque. Bush parece estar à procura de “uma saída semiairosa”, mas Ted Carpenter, um especialista norte-americano em questões de defesa, não tem grandes esperanças nessa saída: “A resistência iraquiana irá alastrar-se e tornar-se mais violenta, e ficaremos numa situação como a da URSS no Afeganistão.”

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

José Manuel Fernandes, para o Iraque, já!

Foi Durão Barroso quem iniciou, na cimeira dos Açores, a grandiosa missão patriótica de apoiar e aconselhar os norte-americanos acerca da política a seguir relativamente ao Iraque! Vários políticos e comentadores seguiram-lhe o exemplo e o próprio Barroso enviou um político português para o Iraque, talvez para os conselhos surtirem mais efeito... George W. deve estar agradecidíssimo, com tão úteis conselhos, até já deve ter uma linha telefónica directa para Portugal. E é por isso que Durão não tem tempo para tratar dos problemas do país...
Ora, no seu editorial de hoje, o director do “Público”, lamentando que as Nações Unidas e a Cruz Vermelha tenham abandonado o Iraque, aconselha os americanos a não desistirem, porque este país poderia “degenerar numa implosão ou numa guerra civil”.
E apela: “Nem estratégias ditadas por calendários eleitorais, mesmo quando essas eleições são as americanas.”
Como os EUA já estudam a possibilidade de fugirem do Iraque o mais breve possível, a fim de evitarem os mortos, e porque não conseguem dominar a situação por eles criada, e porque desconhecem a existência do “Público”, (porventura nem sabem que Portugal existe...) aconselho José Manuel Fernande e outros defensores da invasão a se prepararem para os substituir. E já!

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:33 PM | Comentários (2) | TrackBack

Porque

Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética I, Círculo de Leitores

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

Só um ferro inoxidável poderia ter resistido...

"Queimado" na praça pública como nenhum outro político, num processo que faz lembrar a Inquisição, Ferro Rodrigues parece ir renascendo das cinzas, revigorado, determinado a continuar o combate político contra a direita e extrema direita. Só um ferro inoxidável suportaria o que ele suportou.
Esquecemo-nos que um político é um ser humano, como qualquer um dos nós: é dotado de razão mas também de sentimentos, tem a sua personalidade e reputação, e sofre (como qualquer um de nós) quando é cobarde e ignobilmente ofendido na sua dignidade. (Excepto quando esse ser humano é um hipócrita ou um impostor ou um canalha ou não tem dignidade - e todos, mesmo os seus adversários políticos, reconhecem que Ferro Rodrigues é precisamente o contrário disto tudo). Que queriam que ele fizesse? Que dissesse: coitadinho de mim, estou inocente mas querem destruir-me, por isso, vou embora para casa, carpir as minhas mágoas... Mas resistir é a capacidade dos fortes e dos audazes e, por isso, eu julgo que depois desta dura prova, está preparado para os próximos e decisivos combates políticos.
Atacado por cobardes que conspiraram na sombra, por vaidosos que o atacaram às claras, por calculistas, oportunistas, intriguistas e simplesmente ignorantes; por adversários políticos mas também por “camaradas” do seu próprio partido, resistiu e venceu.
Se ele tivesse sucumbido, a direita, a extrema direita, adversários internos (com rosto e sem rosto), estariam a cantar vitória e a recolher os despojos. O que eles querem é um PS mole, frouxo, rendido aos interesses económicos e outros, com quem possam fazer negociatas, continuando o país, cada vez mais pobre, injusto e desigual.
Parece que o país já entendeu o que se passou, e voltou uma página. As entrevistas à RTP e à Visão colocam um ponto final no assunto. Na entrevista a Judite de Sousa tudo foi explanado até à exaustão, até à náusea. Hoje, os jornais já falam da actividade do Secretário Geral do PS. Parece que voltámos à normalidade. Foi um pesadelo. A vida continua.
Espero não estar enganado, para bem de todos nós, mesmo daqueles que pensam de modo diferente, ou ingenuamente julgam que tudo isto foi apenas uma brincadeira de mau gosto.
(Gostei de escrever este texto. E este foi um momento aguardado com expectativa)

Publicado por Paulo Ribeiro em 05:53 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 12, 2003

Até a Imprensa cristã critica o governo

O governo caíu mesmo em desgraça e já não agrada a ninguém. No dia a dia não se ouve uma única voz a elogiar uma qualquer acção governamental. Nos jornais e televisões, exceptuando os comentadores afectos à coligação, também não. Ao contrário, os descontentamentos aumentam.

Hoje, os jornais referem que a Associação da Imprensa Cristã criticou o Governo pelo não cumprimento de um protocolo que prevê a atribuição de publicidade institucional aos jornais de inspiração cristã. “Não queremos privilégios, queremos ser tratados como todos os outros” – afirmou o presidente da referida associação, o qual lamentou também que o ministro Sarmento não tenha recebido a associação, ao contrário do secretário de Estado, Arons de Carvalho.
Enfim, não cumprem os acordos, mas podiam ao menos ser educados!

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

Críticas de João Botelho à televisão e ao cinema em Portugal

A televisão está tão omnipresente nas nossa vidas que é um tema sempre recorrente. Não posso deixar de registar aqui as palavras do realizador João Botelho:
"Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são 'reality shows'. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas".
Quanto à produção cinematográfica no Portugal barrosista, o retrato é igualmente muito negativo: "Estávamos habituados a chegar às 12 ou 14 longas-metragens e este ano passámos para as quatro".

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 11, 2003

Parabéns, Jardim botânico de Lisboa

O jardim botânico de Lisboa faz 125 anos. É pena que seja pouco frequentado pelos lisboetas. Aliás, o mesmo acontece com quase todos os jardins e parques de Lisboa. Parece que os portugueses não os apreciam, não sei por que motivos.

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 10, 2003

A televisão e as crianças

Os jornais informam que, segundo um estudo norte-americano, as crianças que vivem em casas onde a televisão está ligada a maior parte do tempo, têm mais dificuldades em aprender a ler do que as outras crianças. O estudo mostra ainda que as crianças passam cerca de duas horas por dia frente a um monitor, seja a ver televisão, a utilizar o computador ou com videojogos, sensivelmente o mesmo tempo que ocupam com actividades no exterior e mais de três vezes que o tempo dedicado à leitura.
Em Portugal é o que sabemos. A televisão erigida em altar, não apenas para crianças e adolescentes, mas também para adultos. Aquela caixa mágica é o novo deus a quem é dedicada veneração. É o ópio do povo! E como sempre, as crianças são as mais prejudicadas!

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:53 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 09, 2003

O Natal e as intenções da Câmara da Amadora

Ao passar pelo centro da Amadora, na sexta-feira passada, reparei que já há iluminações do Natal. Cada ano, elas começam mais cedo. Por todo o lado, aliás, se notam apelos ao consumismo, tendo por pretexto a proximidade desta época.
Hoje, leio nos jornais que a intenção da Câmara da Amadora é “construir ambientes de sonho que apelem à criatividade das crianças e ao espírito solidário do Natal”, tendo dispendido para o efeito a verba de 118.714 euros.
Ora, toda a gente sabe que o Natal há muito que deixou de ser um tempo de solidariedade e de sonho, e não é com enfeites e iluminações que se recuperará esse espírito. Hoje, o Natal é um tempo de consumismo e troca de presentes supérfluos. As iluminações e as decorações das montras servem para desenvolver o comércio e nada mais. Neste sentido, a Associação Comercial e Empresarial da Amadora é mais sincera do que a Câmara, ao afirmar que as iluminações “contribuem para relançar o comércio tradicional...”
Quanto ao Presidente da Câmara da Amadora, mais valia que retirasse o concelho do imobilismo, que fizesse com que as obras andassem mais depressa e que fosse cumprindo as promessas eleitorais...

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:19 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 08, 2003

E agora, Ferro?

Ferro Rodrigues decidiu continuar e fez bem. Percebeu que o seu tempo não está esgotado e a sua prova de fogo serão as europeias. Mas não terá tarefa fácil. Os olhos dos portugueses em geral, e da comunicação social em particular, estarão fixados nele 24 horas por dia. Além das suas conversas, todos os seus passos serão permanentemente vigiados.
Carrilho & Soares assumiram-se como candidatos alternativos e fizeram bem. Um partido unanimista não é saudável. Candidatos destes animam a malta.

Publicado por Paulo Ribeiro em 11:13 PM | Comentários (1) | TrackBack

A situação agrava-se no Iraque

É raro o dia em que não morrem norte-americanos no Iraque. Esta tarde ocorreram várias explosões em novo ataque a uma coluna militar norte-americana. A situação agrava-se dia para dia, sem que se vislumbre qualquer solução pacífica..
Organizações não governamentais vão saindo do país, o pessoal civil espanhol abandona Bagdad, a Turquia desiste de enviar soldados. Bush e as suas televisões escondem os seus mortos, não vão estes despertar as consciências dos americanos, ainda traumatizados pela guerra do Vietname.
Quando a luta de guerrilha conduzir aquele país a uma situação insustentável, como reagirão os norte-americanos? E mundo? Em que se transformará o Iraque? E todo o Médio-Oriente?

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:41 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 07, 2003

Finalmente vão partir para o novo Vietname

Parece que é desta. Depois de sucessivos adiamentos, os GNR's vão partir, no dia 12, ao serviço do governo norte-americano, para o país que muitos já designam por um novo Vietname.
As televisões portuguesas hão-de encontrar aqui matéria para mais uma novela, com choros e abraços na despedida, enviados especiais, definição de estratégias, os perigos possíveis, etc.etc.
Com a GNR segue José Lamego, ao serviço de Durão Barroso, com uma pomposa função: Chefe da Missão Temporária de Portugal no Iraque! Ele há coisas!...

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novembro 06, 2003

Fumar não mata?

A ideia não é portuguesa, mas parece que os portugueses a acolheram com entusiasmo. A ideia é encobrir frases como: “Fumar mata”, tudo em nome do bem-estar do fumador! Mas que contradição! É assim o ser humano (e neste caso não são apenas os portugueses que são uns espertalhões) - somos muito rápidos e eficazes em nos iludirmos a nós próprios. Promete-se um bem-estar momentâneo, para provocar um mal-estar futuro.
É assim o ser humano – dotado de uma tendência (inata?) para a autodestruição. É que este caso das cigarreiras é apenas um exemplo entre tantos outros mais graves, como a poluição do planeta, a multiplicação das doenças evitáveis ou curáveis (se os dirigentes políticos quisessem) ou o aumento da pobreza e da fome.
Em nome de um bem-estar momentâneo, ou de alguns, compromete-se o futuro.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:47 PM | Comentários (1) | TrackBack

Na cauda da Europa...

O Barrosismo anestesiou o país, com a cumplicidade da comunicação social.
Analisando a realidade portuguesa, escreve Daniel Sampaio na revista Xis:
"Em Portugal (...) não importa que estejamos na cauda da Europa em questões de ensino, ou que cada vez haja mais jovens a consumir álcool ou drogas sintéticas, que importância tem os divórcios estarem a aumentar, as nossas mães serem as europeias que menos tempo têm para os filhos ou haja tantos seropositivos? (...)
Os pais não sabem a quem se dirigir, crêem mesmo que a televisão é a Senhora de Fátima dos tempos modernos, a caixa mágica que lhes trará dinheiro e felicidade..."

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

Que pena não sermos uma monarquia!...

Andam os espanhóis entretidos com a novela Felipe e Letizia, novela que promete prolongar-se por muitos e muitos episódios até ao casamento...
Os portugueses é que bem precisam de uma novela assim, para os fazer esquecer da pedofilia, das escutas telefónicas e da crise económica.
É verdade que temos um D. Duarte Pio, uma D. Isabel não sei quantos, e os filhos, mas eles não são uma família real a sério. Além disso, os faz de conta que são príncipes ainda são muito novos para noivados e casamentos...
Uns afortunados, estes espanhóis!...

Publicado por Paulo Ribeiro em 04:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 05, 2003

Perguntas a Guilherme Silva

O conhecido líder parlamentar do PSD, Guilherme Silva, afirmou: “O PS é tão mau na oposição, como foi no governo.”
Ora, devemos perguntar-lhe: Se o PS foi tão mau no governo, mas se com este governo, todos os problemas se agravaram, caindo mesmo o país numa recessão económica, se o próprio défice de 2003 vai ultrapassar os 4% (se descontarmos as vendas do património), se os portugueses são unânimes em considerar que o país está muito pior (a prova é que até fomos ultrapassados pela Grécia), como é que Guilherme Silva avalia o actual governo? Se ele classifica o anterior governo como mau, então este só pode ser péssimo!

Mais ainda, se o governo PS era mau, e o próprio primeiro-ministro, tendo percebido que não conseguia governar melhor, decidiu sair; então não é chegada a altura de o actual primeiro-ministro, por razões ainda mais justificadas, seguir esse exemplo democrático e abandonar o governo?

Outra pergunta ainda: se o actual governo passa o tempo a repetir a cassete de que herdou uma pesada herança, que dirá o próximo governo? – Que herdou uma pesadíssima herança?...

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:46 PM | Comentários (2) | TrackBack

Política barrosista não é exemplo para ninguém...

Portugal torna-se cada vez mais conhecido lá fora, pelos maus exemplos.
Desta vez foi o próprio ministro francês das Finanças (de direita) a referir-se ao caso português, para exemplificar o que não se deve fazer.
Disse o ministro: "Portugal aplicou muitas medidas, muitas reformas, e fê-lo à sua velocidade, ou seja, muito rapidamente, com a consequência inelutável de uma recessão económica", acrescentando que o governo francês recusa seguir o exemplo de Portugal, ariscando uma recessão económica devido a um cumprimento escrupuloso do Pacto de Estabilidade.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

Mais um ponta de lança?

Mas que raio de direcção do Benfica, esta! Com tantas lacunas na defesa, principalmente a de um defesa esquerdo, vai comprar mais um ponta de lança: o grego Fyssas...
Nota-se que é um bom ponta de lança pelo golo que marcou ao Estugarda, mas podiam começar a pensar em comprar laterais esquerdos...

Publicado por Serafim Alce em 05:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 04, 2003

Debates para quê?

Foi muito fraco o debate na RTP sobre a constituição europeia. Como quase sempre acontece, estes debates deixam os portugueses na mesma; ou porque os moderadores não estão bem preparados e não os sabem orientar, ou porque os convidados não são os mais indicados.
De qualquer modo, para quê debates sobre este tema, se os portugueses, mesmo confessando-se mal informados, já têm uma opinião favorável à constituição europeia?
Durão Barroso tem razão: com um país assim, por que não realizar tudo no mesmo dia - as eleições e o referendo? Poupa-se dinheiro que tão necessário é para baixar o défice...

Publicado por Paulo Ribeiro em 11:31 PM | Comentários (2) | TrackBack

Ambições...

João Soares está ansioso para ser secretário geral do PS. Certamente quererá igualar a carreira do pai. Digo igualar, porque ultrapassar vai ser muito difícil...
Só não percebo como é que tendo perdido as eleições para a Câmara de Lisboa coligado com o PC, poderá vencer umas eleições legislativas nacionais e sem coligação.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 03, 2003

Debate sobre a Europa

Os portugueses afirmam que estão mal informados acerca da futura constituição europeia. Hoje há debate na RTP. Veremos se ficaremos mais elucidados ou se ficaremos na mesma como tem acontecido com muitos debates...

Publicado por Paulo Ribeiro em 10:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

Os comentadores da SIC

Eduardo Cintra Torres tem razão quando escreve: “Considero a forma como a SIC apresenta a prestação de Santana e de Carrilho uma desonestidade jornalística. (...)
Quer um quer outro são políticos no activo que ambicionam subir mais ainda. Carrilho quer chegar à liderança do PS e Santana, que lançou o isco presidencial para ficar na ribalta, pretende colocar-se a jeito para ser o sucessor de Durão Barroso.(...) eles são entrevistados todas as semanas em horário nobre. São os únicos políticos entrevistados semanalmente, enquanto políticos em actividade, num dos programas mais vistos da TV - e até são pagos para isso.
O que a SIC está a fazer é política, a promoção de dois futuros opositores de Durão e Ferro.”

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:44 PM | Comentários (1) | TrackBack

Manuel Monteiro à procura de adeptos...

Manuel Monteiro fundou um partido. Agora, tem necessidade urgente de assegurar militantes, mas sabe que os espaços políticos já estão preenchidos e a única maneira é apelar àquela minoria que não se revê em nenhum dos partidos existentes.
Por isso, é que tem de afirmar que não é de direita (velha direita, como diz), nem de esquerda (velha esquerda). Diz Manuel Monteiro: "O grande desafio da Nova Democracia têm de ser os novos eleitores e uma faixa de eleitorado, de pessoas que pensam diferente, que não aceitam os rótulos tradicionais, que têm valores, mas que são valores novos. (...) é um partido que tem um desafio muito maior pela frente, que é construir de raiz um quadro de valores, de ideias, de referências com as quais se possa apresentar ao eleitorado. "
Só foi pena que não tenha explicado (nem as jornalistas perguntaram):
Quais são esses valores novos?
Quais são essas ideias novas?
Quais são essas referências novas?
Enfim, quais são essas pessoas que pensam diferente? Em que é que são diferentes das outras? E onde é que elas estão?

Publicado por Paulo Ribeiro em 07:45 PM | Comentários (3) | TrackBack

novembro 02, 2003

Poema de José Luís Peixoto

espelho, és a terra onde as raízes rebentam de mistérios.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
os olhares sem fim das coisas paradas, repetes o meu olhar.
espelho, és a parede e a pele cansada, és um silêncio a morrer a noite,
és o que ninguém quer, a verdade mais triste e cansada por dentro.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
a desgraça, a miséria e o desespero.
espelho, quis conhecer-te e perdi-me de ti.

José Luís Peixoto, "A Criança em Ruínas", edições Quasi

Publicado por Paulo Ribeiro em 05:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

José Saramago/José L.Peixoto

Escrevi, aqui, ontem, que estava curioso para assistir ao encontro entre um escritor, de 80 anos, consagrado com o prémio máximo (o Nobel), e um jovem escritor que antes de fazer 30 anos é já considerado um grande nome da literatura. Dois valores portugueses com grande projecção no estrangeiro, ambos com traduções em muitas línguas. Duas gerações, duas ideologias (embora não antagónicas, pois situam-se à Esquerda), duas visões do mundo, enfim...
Pois, todas as minhas expectativas foram defraudadas. Não por culpa dos escritores, mas única e exclusivamente da moderadora e da produção do programa, que tendo uma boa ideia, não conseguiram desenvolvê-la suficientemente.
Uma moderadora mal preparada. Não conhecia os livros, (do tipo Marcelo Rebelo de Sousa, que só conhece os títulos e as editoras...), raramente promoveu o debate entre os dois escritores (o próprio Saramago, com o seu ar de quem é mais velho, é que muitas vezes interpelou o J.L.Peixoto), as perguntas (muitas delas sem grande interesse), foram, na maior parte das vezes, dirigidas ao Saramago, etc, etc.
Teria sido interessante, por exemplo, começar o programa com a audição de uma música dos Moonspell, e a seguir, pedir ao José Luis Peixoto para explicar a sua visão do mundo e da música e da literatura, a partir desse conceito ainda mal conhecido que é o "goticismo" (de movimento gótico) e ao José Saramago para dar a sua opinião acerca dos movimentos e correntes artísticas actuais que, embora jovens, já mostram alguma consistência e afirmação.
O mundo mudou muito nas últimas duas décadas. As velhas ideologias estão mortas, novas correntes artísticas/ literárias estão a surgir, há um combate novo a fazer-se por uma nova globalização, ou pelo menos, pela regulação da existente, o que exige uma determinada resistência cultural,etc,etc. Uma pergunta interessante seria sobre o papel dos escritores nessa resistência e nesse combate. Enfim, o encontro foi uma oportunidade perdida.

Publicado por Paulo Ribeiro em 04:57 PM | Comentários (3) | TrackBack

novembro 01, 2003

O nado-morto

Finalmente, a notícia esperada: “Produtores de TV desiludidos com canal Dois”
Nada que não estivéssemos à espera.
Quem sabe se o próprio Morais Sarmento não está à espera que A Dois seja um fracasso para vender o canal aos privados?
Aguardam-se os próximos capítulos. Mas uma coisa parece certa: será mais um fracasso do governo.
Mas este governo, afinal, conta com alguma acção bem sucedida?

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

Fernando Tordo canta Nobel

O “Público” noticia que Fernando Tordo prepara-se para lançar, provalvemente no Circulo de las Artes de Madrid, o seu novo disco que reúne doze canções de outros tantos poetas a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura.
A qualidade está, portanto, à partida, garantida. Aliás, de Fernando Tordo não seria de esperar outra coisa. E dizem que o disco está ao nível das melhores coisas que o artista português já fez.”
Enfim, é caso para acrescentar: se falta qualidade aos nossos governantes, não falta talento na cultura portuguesa.

Publicado por Paulo Ribeiro em 09:04 PM | Comentários (2) | TrackBack

A não perder às 24 horas

Escrevo este "post" para mim mesmo: não posso perder o encontro entre José Saramago e José Luís Peixoto, na SIC-N. As perspectivas são grandes. Espero não ficar decepcionado.

Publicado por Paulo Ribeiro em 08:31 PM | Comentários (1) | TrackBack

Eleições no Benfica

Foram os resultados esperados. Os benfiquistas ainda mantêm confiança nesta direcção e por isso não havia razão para escolher novos dirigentes. Toda a gente previa estes resultados.
L. Filipe Vieira tinha a vitória assegurada e por isso não precisava de gastar tanto dinheiro em cartazes.
Jaime Antunes não precisava de ter caído no ridículo de prometer novos jogadores. Deveria limitar-se a marcar presença, como quem diz: eu voltarei; nas próximas eleições terão de contar comigo (isto no caso de até lá o Benfica não conquistar um campeonato).
Quanto ao Madaleno, não vale a pena falar.
Quanto ao futuro de Vieira, é assim: se o Benfica for campeão, será reeleito; se não o for...

Publicado por Paulo Ribeiro em 06:23 PM | Comentários (0) | TrackBack