Como se não bastasse a TVI estar à frente da rival SIC, quanto às audiências dos comentadores durante os noticiários, a "Televisão Independente" arrancou com o que me pareceu ser uma nova estratégia: em vez de a "pivot" de serviço, Manuela Moura Guedes, fazer perguntas ao comentador, ela mesma debate e discute com ele. Tem acontecido várias vezes, mas hoje ultrapassou as medidas. A jornalista discutiu quase histericamente com Miguel Sousa Tavares, contradizendo-o com uma energia extradordinária. Esqueceu-se que estava na televisão, ou fê-lo propositadamente?
A perspicácia deste canal é cada vez mais espantosa. Quanto à objectividade, zero!
E foi com muita pena (ou então não...) que ouvi a notícia da despedida do treinador Jaime Pacheco do qual (não) gosto muito. Depois de um começo auspicioso com uma vitória sobre o Real Madrid, parece que a equipa não correspondeu às expectativas, ficando com 4 pontos em 5 jogos.
Esperemos que o Carlos Queirós não seja o próximo... Se o Real Madrid jogar contra o Porto da maneira como jogou contra o Valência é certo que será domado facilmente...
Realizou-se, neste fim de semana, na Exponor, em Matosinhos, um casamento, ao qual, como sabemos, também se dá o nome de aliança. Um dos noivos não esteve fisicamente presente, mas enviou uma mensagem, com o fim de reafirmar o compromisso matrimonial e enganar os tolos, afirmando: "O fundamento da convergência (...) não reside em qualquer cálculo (...) nem representa qualquer casuística solução táctica de conveniênia."
Antigamente, os casamentos eram para toda a vida. Actualmente, já não se promete fidelidade até à morte. Faz-se um contrato a prazo. Assim, em vez do "prometo fidelidade até à morte", pode-se, por exemplo, afirmar: prometo fidelidade até 2010.
Claro que até os contratos a prazo não estão isentos de traições, mas promessas são promessas...
E porquê 2010? É por causa do nº 7. De 2003 a 2010 vão 7 anos. O 7 é um nº mítico. É o nº das histórias, por exemplo da "A Branca de Neve e os seus 7 Anões"; é também o nº de grandes jogadores portugueses como o Figo, o Cristiano Ronaldo...
Como todos os casamentos por conveniência, esperemos que também este dure o menos tempo possível, para bem do nosso País!...
Após outra vitória sofrida do Benfica, cheguei à conclusão que ao ver o jogo do "Glorioso" é possível ver de tudo... tal como:
- Ver uma equipa rematar 18 vezes à baliza e o único golo que marca é num remate desviado por um defesa adversário;
- Ver uma equipa sofrer duas faltas em cima da linha da grande área;
- Ver o melhor jogador a ser expulso por acumulação de amarelos;
- Ver uma equipa a ser comparada com um micro-ondas pelo comentador;
- Ver um jogador da equipa adversária a fazer uma falta para amarelo/vermelho e a não receber nenhum dos cartões pelo árbitro, evitando assim a sua expulsão;
- Ver o mesmo jogador a fazer (mais) uma gravata e ainda a não receber o seu segundo cartão amarelo;
- Ver uma equipa com tudo para arrancar para uma goleada e de repente ficar estática, controlando apenas os últimos 10 minutos;
- Ver um treinador cuja equipa criou uma oportunidade de perigo durante o jogo todo e dizer que o empate seria justo.
Só com o Benfica...
O tráfico de pessoas, em particular de mulheres e crianças, é um dos sectores de actividade criminal internacional que tem conhecido um desenvolvimento mais acentuado em todos os continentes.
Neste sentido, entra em vigor no dia 25 de Dezembro, um protocolo da ONU que visa, não só prevenir, suprimir e punir este flagelo, através da identificação e perseguição dos culpados, mas também fornecer ajuda, material e psicológica, às vítimas.
O Ruanda foi, na quinta-feira passada, o 40º país a ratificar o documento.
Em Portugal vamos preparar o combate, criando as condições para o efeito, ou (como sempre fazemos), vamos deixar andar... até que um dia acordemos todos em estado de choque, escandalizados com o fenómeno, que julgávamos existir só nas terras dos outros? Nessa altura, então, prenderemos meia dúzia de indivíduos, organizaremos outras tantas manifestações, e respiraremos de alívio!...
Volta e meia, lá está o Bagão na televisão. Gostam muito dele, vai-se lá saber por quê. Por ser fotogénico? Por ter um ar piedoso? Por ser tipo avozinho-simpático?
Os portugueses, com o estardalhaço da televisão e dos jornais, ganharam, a partir de ontem, uma nova heroína : Maria Vicente, de 80 anos. Até aplicaram um título bem actual: " a avozinha radical".
Os portugueses adoram estes novos ídolos. Ficam eufóricos, sobe-lhes a auto-estima. E interrogam-se logo: será que vamos para o Guiness? Ora, infelizmente, não; apenas batemos o recorde nacional.
Guilherme d' Oliveira Martins tem razão quando escreve: "A crise que vivemos assenta na demissão perante a luta por uma sociedade mais justa..."
Ao escolhermos para o nosso blogue "Filhos da Madrugada", em homenagem a Zeca Afonso (cuja vida e obra foram exemplos dessa luta por uma sociedade fraterna), foi nossa intenção mostrar que o nosso objectivo com este blogue é precisamente esse.
"Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos.
(...)
À procura da manhã clara."
Vicente Jorge Silva é uma referência. No jornalismo, antes; agora na política.
No jornalismo, pela realização de três projectos audaciosos e inovadores, que muito contribuiram para o progresso do Jornalismo em Portugal e para a evolução das mentalidades e da cidadania: o "Comércio do Funchal", a revista do "Expresso" e o "Público", de que foi fundador e director.
Agora, que está na política, espero que continue frontal, inovador e audaz. A sua demissão da Comissão de Ética mostra que assim continua.
A política não pode continuar entregue aos cinzentões, aos burocratas e aos oportunistas. A política precisa de Vicentes!
O país está crispado, deprimido, agressivo. E se nem as elites mantêm o bom senso e a calma, que podemos esperar dos cidadãos em geral?
Chegou a vez de um juíz, o próprio presidente do Tribunal de Relação de Lisboa!... Ora, por pior que seja o comportamento dos media, nada justifica a sua atitude e linguagem: " Não há conversa, minha senhora...antes que eu rebente com essa merda toda. Não quero ser filmado."
A notícia do dia é, sem dúvida, a absolvição de Amina Lawal.
Não foram em vão as campanhas que se fizeram, em todo o mundo, pelas organizações de defesa dos direitos humanos, especialmente a Amnistia Internacional.
Mas as campanhas não devem parar. O que é mesmo necessário é acabar com o obscurantismo que está na origem de tantas situações, crenças e até leis que são monstruosas aberrações, contrárias à dignidade humana.
A defesa do Benfica está a ficar cada vez mais talentosa na construção de jogadas, como foi possível ver no jogo contra os nigerianos (ups... belgas...).
Um bom exemplo foi a desmarcação primorosa do Luizão para o avançado do La Louviere, não dando qualquer hipótese ao Ricardo Rocha. Infelizmente os avançados benfiquistas não conseguiram seguir-lhe o exemplo, senão aos 7 minutos da 2ª parte, por intermédio de Simão. Esperava-se que o Benfica fosse dar uns 3 depois do intervalo, mas após o golo a equipa amoleceu completamente e os jogadores limitaram-se a passear (mais uma vez) dentro do campo...
Felizmente o jogo teve algo de útil: fiquei a saber que a ponte de Caminha tem uma fissura de 2 metros; que o Cristiano Ronaldo gastou montes de dinheiro em compras em Inglaterra e que um motociclista que seguia para Fátima foi encontrado a andar em sentido contrário numa auto-estrada. Os polícias não compreenderam com certeza que se encontrava sob a protecção de Nossa Senhora de Fátima ou, se compreenderam, lembraram-se do pacto que o Fernando Santos tinha com ela antes do jogo com o Moreirense e decidiram não arriscar...
O Governo anda a ver se recolhe apoios para mudar a hora legal.
As razões são as mesmas que fundamentaram o decreto-lei de Cavaco Silva, em 1992: “... a motivação principal é de natureza económica e empresarial”.
Quando A. Guterres, em 1996, repôs a normalidade, os portugueses suspiraram de alívio.
Se voltássemos ao período cavaquista, durante o Verão estaríamos 2 horas e 45 minutos adiantados em relação à hora solar. Todos os especialistas são unânimes em considerar que essa diferença prejudica o ritmo biológico e origina graves consequênciaas especialmente nas crianças e nos idosos.
Mas, num tempo em que querem reduzir o ser humano à sua dimensão materialista e a sociedade à dimensão economicista, alguém ainda se preocupa com esses seres frágeis e improdutivos como as crianças e os idosos?
O professor venceu o doutrinador.
Pelos vistos, o povo português prefere os profesores aos ideólogos e moralistas.
("Grande doutrinador" foram as palavras aplicadas a JPP por Augusto M. Seabra e eu acho que lhe ficam bem).
Os jornais publicam, hoje, os resultados dos "shares" de Domingo, durante o duelo: TVI - 33,8%; SIC - 25,2% .
Mas Pacheco Pereira alcançou uma vitória moral - conseguiu calar o Muito Mentiroso.
Assim, concluída a primeira jornada da época de 2003/2004, do campeonato de comentadores políticos, eis os resultados finais:
MST - 1; PSL - 0;
MRS - 1; JPP - 0.
Total: TVI - 2; SIC - 0
Estima-se em 42 milhões o número de pessoas que, no final do ano de 2002, viviam com HIV/Sida; 70% são habitantes de África.
Até ao final deste ano, no conjunto dos países com baixos e médios rendimentos, será necessário gastar 4,7 mil milhões de dólares, dentro de dois anos serão necessários 10 mil milhões e, a partir de 2007, 15 mil milhões por ano.
A Administração Bush propõe-se apoiar com 15 mil milhões de dólares a luta contra a Sida, ao longo dos próximos 5 anos e desafiou a Europa a igualar esta verba. Até ao momento não houve resposta europeia. Portugal decidiu contribuir com um milhão de dólares.
Entretanto, para fazer face ao aumento das despesas com as campanhas no Iraque e no Afeganistão, o presidente dos EUA pediu ao Congresso o reforço orçamental de 87 mil milhões de dólares!...
Do editorial de José Manuel Fernandes transcrevo:
Em Londres, (...) a simples introdução de uma portagem à entrada na cidade, (...) levou a que os níveis de tráfego baixassem 15 por cento, o número de congestionamentos diminuísse 40 por cento e a velocidade média de circulação no centro subisse 4 km/h. (...)
Há outros (caminhos possíveis), como o progressivo alastramento das áreas de circulação restrita, (...) a forte penalização do estacionamento nos centros urbanos, o aumento do valor das portagens nas vias radiais de acesso ao centro, (...) a criação de "corredores BUS" não apenas no interior das cidades mas também nas vias de acesso, incluindo nas autoestradas. No próprio ordenamennto do tráfego nas cidades a regra deve ser beneficiar as vias circulares, que retiram trânsito do centro, e não as vias radiais, que trazem automóveis para o centro.
Muitas destas experiências já estão a ser aplicadas em muitos países com êxito, mas em Portugal falar de portagens ou de "corredores BUS" ainda é tema tabu para os nossos políticos e autarcas. Preferem antes o investimento vistoso mas errado, como o do famoso túnel do Marquês de Pombal promovido por Santana Lopes e que não deverá passar de uma forma de trazer ainda mais carros para o coração da capital.
O Velho do Restelo voltou às páginas do "Público". E eu que nem dei pela sua ausência... Voltou na mesma, arrogante e crispado, angustiado e pessimista. Para ele, nada está bem em Portugal, tudo vai mal...
Homem, já que o País não muda, porque não muda de País?
Não, não vou falar do jogo Porto-Benfica.
Falo da 2ª jornada do campeonato de comentadores políticos. (A 1ª jornada foi na passada terça-feira entre MST, na TVI e PSL, na SIC, cujo resultado, como sabem, foi favorável ao primeiro, para desespero do ex-comentador da RTP.)
O país está ansioso. Quem vencerá o duelo: o professor Marcelo, na TVI, ou o campeão dos blogues, na SIC?
O buraco na camada de ozono sobre a Antárctica terá atingido o seu máximo histórico de 28 milhões de quilómetros quadrados de área, segundo a Organização Metereológica Mundial.
Porém, segundo John Shanklin, investigador do British Atlantic Survey, as emissões dos gases responsáveis pela destruição da camada de ozono estão, neste momento, controladas, devido a acordos internacionais, como o Protocolo de Montreal. Como estes gases levam muito tempo até se degradarem, será preciso esperar uma década até que os sinais de recuperação da camada de ozono sejam inegáveis.
Sinais de esperança, portanto. Será que, finalmente, os governos decidiram cumprir os acordos? Será que, finalmente, os homens perceberam que destruir o meio ambiente é contribuir para a sua própria destruição?
Gostaria de expressar as minhas felicitações pela boa ideia do jornal "Público" ao passar a vender exemplares da fantástica colecção dos livros do famoso "Tintim". Só acho pena já os ter todos senão com certeza que os compraria.
Continuem com ideias destas que isso é que é preciso.
Aí está mais uma estatística para nos envergonhar. Em Portugal, em cada 100.000 crianças com menos de 15 anos, 3,7 morrem de negligência ou maus tratos.
Todos os anos morrem cerca de 3 500 crianças, vítimas de violência nos países dsesenvolvidos.
Os principais agressores são os pais biológicos (41,3% dos pais e 38,5% das mães), os padrastos (11,1%), as madrastas (3,4%), outros familiares (4,9%) e pais adoptivos (0,4%).
Mais uma vez se comprova que a violência começa no interior das próprias famílias e as principais vítimas são as crianças! Triste realidade!
O juiz Rui Teixeira foi a personagem mais falada e vista nos noticiários televisivos, durante a primeira quinzena de Setembro. Segundo dados da Media Monitor, o juiz foi notícia 47 vezes na TVI, 47 v. na RTP1, 41 v. na SIC, 18 v. na RTP2 e 17 v. na SIC Notícias. Estas 172 notícias tiveram na totalidade uma duração de 7 horas e 10 minutos. A avaliar pelas reportagens em Torres Vedras, parece que os portugueses têm boa impressão dele; isso significa que as imagens veiculadas pelas televisões o têm favorecido, porque isso de objectividade na televisão é coisa do passado!
Quem não tem boa impressão do juiz é A. Marinho e Pinto que escreve um texto no "Público, onde a certa altura afirma:
"Um dos deveres mais sagrados de um juiz em processo penal é não permitir que, por decisões anteriores ao julgamento, a opinião pública possa formular um juízo definitivo de culpa sobre qualquer arguido. (...) As decisões do juiz Rui Teixeira, agredindo sistematicamente os mais elementares direitos dos arguidos, levaram já à criação de uma terrível situação de não retorno sobre a sua culpabilidade."
Atribuindo a responsabilidade desta situação, não ao juiz, mas à legislação, o juiz-desembargador Eurico Reis escreve na "Visão":
"Não serão, afinal, os estrénuos defensores da legislação (...) que estão a criar, (...) um cenário de filme de série B, em que os "criminosos" são condenados e psicologicamente linchados na praça pública que a comunicação social representa, sem terem sido julgados pelo Tribunal competente? Ou até sem terem sequer sido acusados? (...) Embora os securitários não gostem que se fale disso, existe um conceito em ciência política que se chama fascismo cinzento."
Porém, o mais caricato é o facto de o mesmo Teixeira ter questionado Paulo Pedroso (segundo palavras deste) sobre se Ferro Rodrigues, um actual líder partidário e ex-ministro, acreditava no Estado de direito democrático.
Para quem não teve oportunidade de ver este documentário que mostra, de uma forma inteligente e mordaz, a obsessão dos norte-americanos pela posse de armas, uma paranóia pela segurança que, ironicamente, acaba por matar 11 000 pessoas por ano, o filme está, neste momento, no cinema Ávila, em Lisboa.
Michael Moore não se limita a filmar do exterior, ele interage com os seus alvos preferenciais, massacrando-os com perguntas que reflectem a sua própria frustração pelo estado das coisas.
E nós, os espectadores somos massacrados com a crueza da realidade demente que se vive em muitos bairros "respeitáveis" norte-americanos.
Acabo de assinar o documento de apoio ao projecto da Escola da Ponte. (Felizmente que há a Internet!)
Pelo que fui percebendo pela leitura dos jornais, se aquela escola não tivesse apresentado bons resultados no "Ranking", David Justino teria utilizado o argumento do insucesso escolar para obstaculizar o projecto.
Usou, então, o argumento financeiro (muito demagógico, como sabemos... oh, o dinheiro dos contribuintes, coitados, não é para desperdiçar em projectos alternativos...). Afirmou que a tutela "tem gasto rios de dinheiro" ("Público" de 16/09). Ora a escola já respondeu: " a tutela tem gasto uma ninharia" ("Público" do mesmo dia).
Por outro lado, a abertura de turmas de 7º ano não trará grandes encargos financeiros, uma vez que "existem salas disponíveis".
Fica, assim, claro, que há motivos ocultos que o ministro, astuto, sabe que não é politicamente correcto revelar! Ele tem uma ideia para o ensino, embora não a afirme claramente. (É preciso ler nas entrelinhas...) Justino é um reformador! A sua reforma vai no sentido de repôr o modelo que vigorava no Estado Novo, o único que conhece dos seus tempos de estudante! E apoio popular não lhe falta, pois não se ouve, a cada passo, frases do género: "Antigamente é que era! Nesse tempo é que se aprendia!"?
E os instrumentos para essa reforma estão a ser criados: é a revisão da lei de bases, é o novo modelo de gestão das escolas, é a revisão do estatuto da carreira dos professores. Este ano não pôde alterar (ideologizar) conteúdos programáticos, mas há-de um dia fazê-lo...
Enfim, a reforma no ensino está em marcha! E vamos permitir este retrocesso?
A propósito do Muito Mentiroso, que ninguém diz que leu, mas já leu; em que todos dizem não acreditar, mas têm medo de que os outros acreditem... escreve JPP:
"As pessoas tornam-se colaboradoras do autor (ou autores) do Muito Mentiroso porque inevitavelmente vão acabar por interiorizar o que lá está e lhes parece verdadeiro, ou porque o suspeitassem, ou porque lhes parece plausível. E vão acabar por repeti-lo, infectando mais gente com boatos e calúnias, realizando o único objectivo do autor do MM que não é “informar” os portugueses de algo que lhes escondem, mas manipular a sua opinião a favor de uma tese sobre o processo da pedofilia. As pessoas tornam-se parte de uma arma e essa arma dispara."
Ou seja:
"As pessoas tornam-se colaboradoras... vão acabar por interiorizar o que lá está... vão acabar por repeti-lo, infectando..." (infectar, vejam só...)"... vão ser manipuladas... vão-se tornar parte de uma arma..."
Numa palavra, as pessoas são estúpidas...
Meu caro JPP: não são estes os argumentos utilizados pelos intelectuais dos regimes onde vigora a censura?
A oposição madeirense, com excepção do pcp, fez uma negociata com A.J.Jardim. Em conjunto, cozinharam "uma proposta de resolução sobre revisão constitucional", visando a "purificação daquilo que no texto da constituição é sombrio." Paulo Portas não faria melhor!...
Valha-nos Vicente Jorge Silva que prometeu votar contra essa proposta na Assembleia da República. Esperemos para ver como votarão os restantes deputados da oposição.
Há tempos, V.J.S. pediu um referendo sobre a Independência da Madeira. Por mim, apetece-me gritar: Independência para a Madeira, já! Estou certo de que o sim venceria, e, a troco de umas benesses, de uns meros tachozitos, A.J.J. não teria dificuldades em convencer essa "apagada e vil" oposição a votar a favor.
A "rádio que liga o país" resolveu também realizar algumas reformas. O objectivo é torná-la mais próxima dos portugueses!...
Eis algumas reformas: "Crónicas diárias a cargo de Miguel de Sousa Tavares, Raul Vaz, Nicolau Santos, José Manuel Fernandes e Luís Delgado." Esqueceram-se do professor Marcelo, do Pacheco Pereira, do Santana Lopes, do Nuno Rogeiro, do general Loureiro dos Santos, do Mário Bettencourt Resendes...
Mas não se esqueceram das mulheres. Reparem nesta frase: "As questões da actualidade também passarão a ter um olhar feminino..." E quais são as mulheres? Ei-las: Raquel Bulha, Helena Sacadura Cabral, Isabel Stilwelll e Maria João Falcão. Poderiam lá esquecer-se da mãe do Paulo Portas?!...
Mas, para mostrarem que as reformas são radicais, decidiram acabar com o sinal que há décadas "anunciava a hora certa". Melhor do que ninguém, Adelino Gomes exprime a indignação contra esse acto "terrorista". O texto de A.Gomes está no "Público" e intitula-se "RDP calou o mais belo sinal horário do mundo".
Mais um debate (RTP) sobre o estado do ensino em Portugal.
E sempre o ministro, com aquele seu ar de quem sabe tudo e vai endireitar os professores, os alunos, os pais, a própria lei de bases, porventura os próprios edifícios...
E sempre os nossos jornalistas babados face à "sabedoria" (demagogia) dos nossos ministros...
Já não há pachorra!...
Uma lista encabeçada por Manuel Freire, o intérprete de "Pedra Filosofal", venceu as eleições para a Sociedade Portuguesa de Autores. Um feito notável, atendendo a que a outra lista incluía "vedetas" tais como Vasco Graça Moura ou José Saramago, numa salgalhada política, como se pode ver pelos nomes.
Conclusão: ainda vale a pena sonhar e lutar!
Pois é... o Benfica perde 2 pontos na corrida para o primeiro lugar de uma maneira que só o Benfica poderia perder... Já ouvi diferentes explicações para o facto de terem sofrido 2 golos em 5 minutos (e 3 em 10) mas nenhuma me parece lógica o suficiente para uma equipa como esta desleixar-se desta maneira...
Será que esta equipa é demasiado nervosa? Será que não tem nenhuma organização defensiva? É que os jogadores não são maus... Já o 1º jogo contra a Lazio mostrou muitas falhas da defesa...
Ao menos o jogo serviu para alguma coisa... serviu para ver o João Pereira jogar...
Mesmo assim, discordo completamente do que está escrito no "Público" sobre a exibição do Benfica, afirmando que foi tão má que assusta... o Benfica não jogou bem, isso não... agora parece-me claro que se se tivesse aguentado nos ultimos 5 minutos sem sofrer nenhum golo, creio que nada disso seria escrito... que pessimismo que anda por aí...
O ministro do Desporto afirmou que a selecção nacional de futebol deve apresentar bons resultados no campeonato europeu, uma vez que os contribuintes portugueses estão a fazer um grande esforço financeiro para organizar o Euro 2004. Faz-me lembrar outra frase de Durão Barroso, ao despedir-se da selecção para o campeonato mundial: "Tragam a taça"!
A afirmação do ministro vem na sequência dos comentários, megalomanias e fantasias dos jornalistas e comentadores desportivos que, antes do Mundial sonhavam com a vitória de Portugal, e agora, nos anestesiam, outra vez, com a vitória no Europeu!...
Ora, se em Portugal, as empresas estão mal geridas, os trabalhadores não têm a formação profissional necessária nem os estímulos suficientes, os serviços públicos não são eficientes, as crianças e os jovens pouco aprendem nas escolas, os automobilistas matam-se nas estradas, os bombeiros não têm condições necessárias para apagar os fogos, os autarcas não promovem a defesa do meio-ambiente, a administração da justiça é deficiente...
Se em Portugal, há ministros que mentem, outros que fogem às responsabilidades, outros que não têm dignidade para ocupar o cargo, mas não se demitem ou são demitidos. Se o governo não tem meios para defender o País dos incêndios, mas prepara-se para mandar homens para a guerra num país estrangeiro...
Se em Portugal o governo não tem um rumo, nem uma ideia para o desenvolvimento do País.
Se, finalmente, o País está de tanga, por que raio de razão havemos de exigir dos jogadores portugueses o que não se exige dos restantes portugueses???
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!")
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
Fernando Pessoa
Em 11 de Setembro de 1973, os EUA apoiaram um golpe militar no Chile, derrubando uma democracia legítima e impondo uma longa e sangrenta ditadura, matando ou condenando ao exílio milhares de chilenos.
Em 11 de Setembro de 2001, os EUA foram vítimas de um atentado terrorista que matou milhares de pessoas.
Estes são os caminhos da História!...
A propósito, recomendo a leitura de dois textos no "Público" de hoje: "Memorial dos anos felizes" do escritor chileno Luís Sepúlveda e "A alegria dos árabes seria hoje maior" de Karim El-Gawhary.
Do primeiro, cito:
Juntamente com Salvador Allende fomos protagonistas dos mil dias mais plenos, belos e intensos da história do Chile. Sobre nós deixaram cair todo o horror, mas não conseguiram apagar dos nossos corações o Memorial dos Anos Mais Felizes. (...) nos momentos mais duros dos nossos mil dias ... o Presidente aconselhava-nos: "Vão para vossas casas, beijem as vossas mulheres, acariciem os vossos filhos." Agora, a trinta anos da grande traição, que a proximidade dos nossos, que a recordação dos que faltam, e o orgulho de tudo o que fizemos sejam os grandes convocantes do que devemos lembrar.Que as palavras "Companheira" e "Companheiro" soem como uma carícia, e bebamos com orgulho o vinho digno das mulheres e dos homens que deram tudo, que deram tudo pensando que não era o suficiente."
Do segundo texto, cito:
"Com isso soou em todo o mundo árabe a hora dos radicais. Islamistas e nacionalistas árabes falam entretanto quase a mesma língua. Said vê nisso a "demonização dos Estados Unidos como uma das tendências mais claras nas nossas sociedades". Em conjunto Islamistas e nacionalistas, sejam a Fatah e o Hamas, os Baasistas ou a Irmandade Muçulmana unem-se para a guerra santa contra o Ocidente, pensa o politólogo egípcio Ahmad Abdallah. "Criou-se uma situação na qual os homens se deixam apenas guiar pelos sentimentos e instinto e a calamitosa aliança de islamistas, nacionalistas árabes e neoconservadores americanos passa a bola uns aos outros".
Ainda não percebi como é que o capitão da selecção portuguesa de futebol reage com uma agressão a um jogador da equipa adversária, por este ter passado a bola por entre as pernas e de seguida ter aquele comportamento ridículo com o jogador espanhol no banco de suplentes...
O Carlos Queiroz bem dizia... "há muita porcaria nesta selecção que precisa de ser limpa".
E com tantos defesas centras de jeito em Portugal tinham que meter este a titular e a capitão... relembremos que a defesa da Espanha portou-se muito melhor e com uma defesa razoavelmente jovem...
Parece que a era das trevas, da escuridão, do terror, estão a voltar. Depois de acabado o "Big Show Sic" os portugueses puderam descansar uns tempos sem a presença de um Mr. Pimba (João Baião que na RTP não teve um papel de pimba tão grande). Infelizmente, parece que está para vir um sucessor... nada mais nada menos que o Manuel Luís Goucha que está a fazer cada vez figuras mais tristes no seu programa na TVI ameaçando roubar o título ao João Baião...
Caro Pacheco Pereira
Duvido que você me leia; em todo o caso, aqui ficam as minhas perplexidades, ao ler o seu artigo, hoje, no "Público."
Se você afirma que:
1."... tem de se colocar a questão de se saber se americanos estavam preparados para governar o Iraque depois da vitória militar e do fim do regime e Saddam. A resposta que hoje já se pode dar é um não. (...) Mas o que se passou com a administração Garner mostra essa impreparação e falta de sensibilidade política, perdendo um tempo inicial precioso. Hoje, os americanos já estão mais preparados, porque aprenderam "the hard way", mas criaram para si próprios dificuldades evitáveis."
2. "As Nações Unidas não têm a capacidade política, nem a vontade, de defrontar os muito complexos problemas iraquianos e o novo tipo de conflito mundial que se está a desenvolver à volta do terrorismo porque fazem parte do problema e não da solução."
3. "Infelizmente, vários países da UE de há muito que conduzem uma política escapista de fugir às dificuldades, uma política externa de avestruz, assente na manutenção a todo o custo de um "statu quo" que é tempo oferecido aos terroristas para se organizarem e para fazerem um "upgrade" do seu arsenal."
4. "Isso deixa aos EUA a gigantesca tarefa solitária de policiar um mundo cada vez mais perigoso, o que eles fazem muitas vezes de forma deficiente, também porque o têm de fazer sozinhos. "
Ou seja, se, por um lado, nem a ONU, nem os países europeus estão em condições de assegurar a paz mundial; e se, por outro lado, os EUA o fazem de uma forma deficiente, como você próprio, agora, reconhece; então qual é a solução? Está o mundo condenado ao terrorismo?
Ricardo França Jardim é um reconhecido médico psiquiatra, chefe de serviço no Hospital Júlio de Matos e director do Serviço de Reabilitação Psicossocial.
Os leitores do "Público" conhecem-no também pelas excelentes crónicas que escreveu para aquele jornal, no tempo em que Vicente Jorge Silva era director.
Não percam, por favor, a crónica, lúcida e oportuna, no "Público" de hoje, a propósito do chamado "caso da Casa Pia".
Após a observação da temporada passada e do início desta, foi possível reparar que o Boavista e o Porto têm algo em comum, além da cidade.
Note-se que antes do jogo do Porto com a Lazio, na época passada, o treinador do Porto, José Mourinho, disse: "Se alguém nos marcar um golo esmagamo-lo." E foi, precisamente, o que aconteceu. Recorde-se que a Lazio marcou um golo no início da partida e sofreu 4 até ao fim do jogo. Antes do jogo de ontem, Mourinho disse que o Sporting ia pagar pela derrota na final da supertaça... e pagaram mesmo (!).
Os jogadores do Porto lutam até ao fim, em busca de um resultado favorável. Só há uma explicação para isto: o doping. Mas não é um doping físico. É um doping psicológico e parece ter um efeito ainda melhor.
O Boavista, por sua vez, também deve ter o mesmo lema. Mas, ao contrário do do Porto, em vez de "se alguém marcar, esmagamo-lo" o do Boavista deve ser "esmagamo-lo para não marcar".
Infelizmente, os jogadores do Boavista levam isso à letra...
Só espero agora que o Porto ganhe ao Partizan antes do jogo com o Benfica...
António Pinto Ribeiro escreve hoje no "Público" um excelente texto, do qual destaco:
"Com o populismo, os empresários das revistas lucrativas, dos tablóides, dos programas televisivos mais abjectos têm lucros importantes, tal como os tem a maioria silenciosa - figura charneira na disseminação do populismo - que gere a actividade comercial associada ao futebol. Tem lucros e, consequentemente, tem poder.
(...)
É no seio da classe média que surge o "kitsch" - o "kitsch" objecto, o "kitsch" artístico, o "kitsch" político... - e o apelo ao populismo. Este chamamento, no seu sentido mais puro, não tem origem nos bárbaros-incultos-desempregados-suburbanos. Os bárbaros-incultos-desempregados-suburbanos são propensos a seguir o populismo, não porque lhes seja rentável mas porque, entretanto, os mecanismos emotivos do comportamento difundidos pela informação populista os condicionaram, i.e., os fizeram absorver os resíduos da relação directa que existe entre os tablóides, as revistas cor-de-rosa, as TV generalistas e os resíduos da forma como exploram o lado mais torpe da condição humana: a vingança, a inveja, o racismo face ao diferente, o enriquecimento fácil e sem escrúpulos, a exposição obscena da vida íntima, a fama instantânea, as efémeras ilusões de poder, etc."