julho 03, 2004

sophia

Morreu a poetisa da luz, do mar, da perfeição helénica. Um dos maiores vultos da literatura portuguesa, não só contemporânea mas de todos os tempos. Perdemos uma figura, tanto literária como eticamente, absolutamente crucial na história portuguesa. Ficam as palavras, fica o mar…

25 de Abril

“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”


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A forma justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu e o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada dia a cada um a liberdade do reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como a palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo


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Inscrição

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

Publicado por Paulo Ribeiro em julho 3, 2004 01:21 AM
Comentários

A obra que nos deixou jamais permitirá que se apague da nossa memória colectiva.

Afixado por: congeminações em julho 3, 2004 05:47 PM

Oitenta e quatro rosas para Sophia !

Afixado por: Finurias em julho 4, 2004 07:21 PM