Como escreveu aqui, ontem, um meu leitor, “este homem ( Ribeiro Telles) anda a gritar no deserto há anos.” Os nossos governantes bem “podiam aprender alguma coisa com ele. Teme-se que voltem a fazer mais do mesmo...” E não é porque sejam burros ou incompetentes. É porque estão envolvidos em negociatas, os seus interesses são económicos...
E já que o “Público”, novamente se lembrou de pedir uma opinião ao arquitecto, desta vez a propósito do aluimento em Lisboa que ia “engolindo” um autocarro, volto a transcrever parte dessas afirmações, embora saibamos que é “gritar no deserto”:
“Vai haver mais casos destes. Em Alvalade há uma zona idêntica à de Campolide. Em Chelas, no Vale da Montanha, e no Vale de Santo António (onde a EPUL vai construir) está-se a cometer o mesmo erro, sem qualquer cuidado com a circulação das águas pluviais. (...)
O acidente resulta do encanamento da ribeira de Alcântara (o caneiro de Alcântara), que até aos anos 40 do século passado corria entre muros de pedra seca com cerca de um século que foram cobertos por betão. Não se pode pensar que toda a água pluvial, que vem de longe, da Amadora, acerte no caneiro, alguma vai sempre para fora, forma lençóis de água na estrada, infiltra-se no solo, procura outros escoamentos. Ao fazê-lo, criam-se zonas mais frágeis ou ocas no terreno.(...)
O projecto para a circulação de águas pluviais para Lisboa não foi realizado, apesar de estar feito. A água não pode estar toda canalizada, tem, antes disso, de correr ao ar livre passando por bacias de retenção que permitam, entre outras coisas, controlar os caudais. Hoje já ninguém se lembra de meter a água da chuva em canos. Essa água aproveita-se.
Já no tempo de João Soares os técnicos não quiseram fazer isto. O que se quer é canalizar para depois se poder construir à balda. É o modelo que se está a seguir em Chelas. E, no entanto, a câmara de Lisboa tem toda a zona frágil da cidade - a chamada zona húmida - em plantas. E a actual equipa que revê o PDM continua a apostar nas canalizações".