novembro 22, 2003

A comunicação entre pais e filhos

"Continuando ler a revista “XIS”, transcrevo uma resposta da entrevista do Psiquiatra João Hipólito: “ Noutras épocas os pais tinham mais tempo, havia mais disponibilidade interior, a transmissão do conhecimento fazia-se por companheirismo. Havia um enriquecimento da comunicação. Embora houvesse coisas erradas, como a violência, por exemplo, o acompanhamento era mais consistente. Hoje a maior parte da aprendizagem faz-se através da televisão e a realidade é mais confusa, o que torna mais confusos os adolescentes. A transmisão oral, envolvida numa relação afectuosa entre duas pessoas e não desencarnada, como hoje acontece, desapareceu.”

Publicado por Paulo Ribeiro em novembro 22, 2003 11:30 PM
Comentários

Mas isso caro Paulo acontece por inteira responsabilidade dos próprios pais, que optam
por oferecer consolas de jogos logo de pequeninos
aos filhos, computadores etc., e aquela comunicação que antes se estabelecia, hoje cada
vez mais está em desuso.

Afixado por: congeminações em novembro 23, 2003 12:42 AM

Mais uma consequência da «sociedade moderna»!?!
Uma coisa é certa: na sociedade moderna não é fácil conjugar o trabalho com a família.
As deslocações diárias, o trabalho, o stress, o levar e trazer os filhos das escolas/infantários, as compras, o tratar da casa, fazer as refeições, etc. dão origem a uma luta frenética no dia-a-dia. O pouco tempo que sobra, às vezes mal dá para descansar um pouco ou dormir o suficiente. É claro que, consoante as pessoas, há diferentes interpretações do que é uma correcta educação dos filhos. Alguns limitam-se a oferecer aos filhos as coisas que resultam das solicitações ambientais (e fica por aqui o seu papel) julgando que assim satisfazem os filhos e os tornam felizes. Outros, talvez na tentativa inconsciente de ultrapassarem os seus recalcamentos de infância, vão dando aos filhos tudo aquilo que podem e que nunca tiveram, esforçando-se para que os filhos alcancem aquilo que eles nunca conseguiram. Estes não conseguem ultrapassar a ideia que os filhos são seres autónomos e não meros apêndices dos progenitores. Outros vão mais longe e procuram, no dia a dia, mesmo sacrificando alguns afazeres, acompanhar os filhos na descoberta da vida, apoiando emocionalmente os contratempos que as crianças enfrentam diariamente, tentando abrir caminhos aos filhos que os ajudem no seu percurso individual da vida. Este acompanhamento tem a virtude de uma maior ligação pais-filhos, criando uma cumplicidade que permite ultrapassar divergências que fatalmente surgirão, mais cedo ou mais tarde. Nalguns casos, um dos pais abdica de trabalhar para um maior acompanhamento dos filhos ( são poucos os que se podem dar a este luxo). Penso que, em muitos casos, o não acompanhamento dos filhos pelos pais é resultado do sistema de vida na sociedade moderna – os filhos passam muito mais tempo em infantários, amas, escolas, ATL’s do que com os pais.
Contudo é também verdade que muitos pais não percebem a importância do acompanhamento diário dos filhos, levando estes a um maior distanciamento e a buscar as respostas às suas questões noutros lugares que não os pais. Isso mais tarde pode dar origem a graves problemas. A resposta correcta às dúvidas das crianças e adolescentes é essencial para uma correcta integração destes num meio ambiente adverso e perigoso para mentes fracas e pouco esclarecidas. Mas, para terminar, sublinho que é extremamente difícil educar um filho nos tempos que correm. As solicitações que sobre eles recaem são muitas, estão em todo o lado e muitas delas conduzem-nos a caminhos perniciosos.

Afixado por: vmar em novembro 23, 2003 08:27 PM

Hoje em dia os filhos nao se conseguem entender com os pais,isso é mau...

Afixado por: erika em novembro 29, 2003 06:59 PM