O juiz Rui Teixeira foi a personagem mais falada e vista nos noticiários televisivos, durante a primeira quinzena de Setembro. Segundo dados da Media Monitor, o juiz foi notícia 47 vezes na TVI, 47 v. na RTP1, 41 v. na SIC, 18 v. na RTP2 e 17 v. na SIC Notícias. Estas 172 notícias tiveram na totalidade uma duração de 7 horas e 10 minutos. A avaliar pelas reportagens em Torres Vedras, parece que os portugueses têm boa impressão dele; isso significa que as imagens veiculadas pelas televisões o têm favorecido, porque isso de objectividade na televisão é coisa do passado!
Quem não tem boa impressão do juiz é A. Marinho e Pinto que escreve um texto no "Público, onde a certa altura afirma:
"Um dos deveres mais sagrados de um juiz em processo penal é não permitir que, por decisões anteriores ao julgamento, a opinião pública possa formular um juízo definitivo de culpa sobre qualquer arguido. (...) As decisões do juiz Rui Teixeira, agredindo sistematicamente os mais elementares direitos dos arguidos, levaram já à criação de uma terrível situação de não retorno sobre a sua culpabilidade."
Atribuindo a responsabilidade desta situação, não ao juiz, mas à legislação, o juiz-desembargador Eurico Reis escreve na "Visão":
"Não serão, afinal, os estrénuos defensores da legislação (...) que estão a criar, (...) um cenário de filme de série B, em que os "criminosos" são condenados e psicologicamente linchados na praça pública que a comunicação social representa, sem terem sido julgados pelo Tribunal competente? Ou até sem terem sequer sido acusados? (...) Embora os securitários não gostem que se fale disso, existe um conceito em ciência política que se chama fascismo cinzento."
Porém, o mais caricato é o facto de o mesmo Teixeira ter questionado Paulo Pedroso (segundo palavras deste) sobre se Ferro Rodrigues, um actual líder partidário e ex-ministro, acreditava no Estado de direito democrático.
Publicado por Paulo Ribeiro em setembro 19, 2003 08:04 PM