agosto 18, 2003

Santana Lopes e a SIC

Primeiramente foi a notícia da transferência de Santana Lopes para a SIC.
Logo a seguir, foi a vergonhosa entrevista conduzida por um senhor que dá pelo nome de Pedro Coelho, da mesma televisão.
As palavras de Eduardo Cintra Torres no "Público" são claras:
"A relação de Santana com a imprensa, inscrevendo-se num género com virtualidades na actual sociedade mediatizada, está a tornar-se doentia, provavelmente em resultado do seu recorte psicológico e da sua ambição. Esta coisa de não haver dia útil ou fim-de-semana em que ele não plante notícias na TV ou na imprensa - seja ela imprensa do coração ou imprensa da razão - já ultrapassa os limites do razoável e, quem sabe, pode ser-lhe contraproducente.
Exemplo flagrante foi a longa entrevista que fez ao autarca lisboeta - a poucos dias da transferência para a SIC, sabe-se lá porquê - o jornalista Pedro Coelho, da SIC.
Essa entrevista é das mais revoltantes que tenho visto na TV portuguesa nos últimos anos. Trata-se da mais pura propaganda da personagem entrevistada, seja pelo género televisivo escolhido, seja pelas perguntas e pela atitude do jornalista. Pedro Coelho teve aqui o pior momento da sua carreira, que espero que não se repita, ou terei que lhe pedir que me devolva o Olho Vivo 2002 que lhe atribuí em Janeiro. Este foi um verdadeiro apagão do jornalismo.
Santana Lopes foi entrevistado em pé, em género passeio. Uma de duas câmaras ia circulando em volta do político como se ele fosse vencedor da Volta ou artista de cinema. Eu nunca tinha visto este género de realização (?) numa entrevista política, que exige distância ideológica e neutralidade visual. A entrevista começou na residência do edil em Monsanto (para ele dizer que dela pouco usufrui, naturalmente). Passou depois às metáforas visuais: o Parque Eduardo VII, no seu género de arquitectura "jardim de Estado"; depois, no Marquês de Pombal, a quem o jornalista convidou Santana a comparar-se, ao que este, agradado pela pergunta mas com a sua habitual modéstia, evitou responder por palavras (só depois do próximo terramoto, pareceu dizer o seu gesto vago); depois, à porta da Câmara, onde ele exerce actualmente; o percurso terminou (adivinhem) no local que simboliza o poder máximo na Pátria, o Terreiro do Paço, onde está a estátua equestre do chefe de Estado D. José. Mas claro, a modéstia impede o autarca de dizer se ambiciona Belém. Também não era preciso dizer: a cenografia da entrevista respondia cabalmente."



Publicado por Paulo Ribeiro em agosto 18, 2003 11:35 PM
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Josiah Miriam

Afixado por: Josiah Miriam em julho 15, 2004 03:37 PM